Feiras que ressaltam a importância e qualidade de alimentos orgânicos e regionais
O V Encontro Regional de Mulheres da Agricultura Familiar, que acontece hoje (06) terá um almoço especial onde cada mulher, de diferentes municípios, trará seu próprio prato destacando a diversidade regional com alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos - plantados e investidos na região. O mesmo ocorre na Frinape, com a Cozinha Colonial no pavilhão da Agricultura Familiar, que contará com um estande servindo pratos característicos do Alto Uruguai, de 14 a 24 de novembro.
Conta com produtos como arroz, feijão, polenta, queijo e salame, selecionados pela COOPERFAMILIA. Outro destaque é a produção de mel, bolachas e os alambiques. Alcemir Antonio Bagnara, coordenador geral da SUTRAF-AU lembra que os mesmos produtos que vão para a feira, como a bolacha e suco de laranja, são distribuídos nas merendas escolares de Erechim. São investidos mais de 2 milhões em escolas do Alto Uruguai, o IFRS, UFFS e cozinhas solidárias em Porto Alegre.
“Buscamos, através da nossa cooperativa, fazer a relação do agricultor com as comunidades mais vulneráveis” salienta Bagnara. Em Erechim há cinco entidades que a COOPERFAMILIA entrega produtos, como a Obra Promocional Santa Marta. Os alimentos são retirados com os agricultores e entregues para a ONG que faz a distribuição, conforme seus critérios. Isso tudo é uma consequência de trabalhos já realizados e direitos reivindicados. A SUTRAF apoia bandeiras que defendem o agricultor familiar, por exemplo a Pronav e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).
A agricultura familiar desde antigamente representa diversidade, como destaca Bagnara: “O que vemos hoje, desde a revolução verde de 1970, é uma instigação a se especializar em uma só produção, como a monocultura e também um grande investimento em tecnologia;
Pontua também o dirigente que “as vezes pode não ser tão vantajoso para o pequeno agricultor, pois tudo custa, desde o óleo para o trator, por exemplo”.
A plantação em grande escala gera tanto o desmatamento como a ampliação de terras, que nem sempre o agricultor vai conseguir sustentar. Isso é uma conscientização que a SUTRAF também busca trazer para seus associados.
Se o projeto é insustentável é preciso repensar o caminho. O Capa (Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia) tem entre 40 e 50 famílias que praticam a agroecologia na região e todos esses encontros e feiras são essenciais para engrandecer tais trabalhos.
Um projeto que a SUTRAF está iniciando é o SPDH (Sistema de Plantio Direto de Hortaliças), método desenvolvido pela Epagri, que reduz adubos químicos. Um dos grandes objetivos é mostrar que ainda é possível fazer agricultura com preservação ambiental, através de alternativas de mais baixo custo e que trazem mais resultado e lucro para os agricultores.