O mês de janeiro é marcado pelo início da colheita da uva, conforme a Secretaria de Turismo do RS, pode se estender até os meses de fevereiro e março no estado. No interior de Erechim, a produção de uvas é uma tradição na propriedade da família Bianchi em que a prática é passada de geração em geração. Com mais de 80 anos de história, os Bianchi, que iniciaram sua jornada em 1944, tem se destacado tanto na produção de uvas quanto no turismo rural, recebendo visitantes para conhecer o processo artesanal de cultivo e colheita de uvas.
História e tradição
A história da propriedade remonta à imigração italiana, com os primeiros integrantes da família chegando da cidade de Bento Gonçalves e se estabelecendo na região. Desde então, a produção de uvas tem sido o foco principal da família. Hoje, o produtor é o neto do imigrante, Alex Bianchi.
“Este vinhedo, ou parreiral, existe desde o tempo do meu avô, que veio de Bento Gonçalves e comprou a propriedade. No entanto, ele é ainda mais antigo, pois o dono anterior já cultivava uvas e possuía um pequeno vinhedo. Quando meu avô adquiriu o terreno, ele expandiu a área, e meu pai continuou esse processo de ampliação. Hoje, contamos com uma área de 5,5 hectares de parreiral em plena produção”, conta Alex.
Além das uvas, a propriedade também já cultivou outros produtos, como pêssegos e milho, mas a produção de uvas tem sido sua prioridade. Hoje, a produção é focada principalmente na uva de mesa e na produção artesanal de vinho. O cultivo de variedades como Niágara Rosé, Isabel, Thompson, e até as mais raras, como Tolda, também chamada de "Lágrima de Cristo", é uma das especialidades do local.
“A produção de uvas segue um ciclo com safras. Quando o tempo é favorável, a produção pode variar de 70.000 a 120.000 quilos”, explica Alex.
O processo de produção
A produção de uvas no Vinhedo Bianchi é marcada pelo cuidado e respeito às técnicas tradicionais. O agricultor explica que a colheita é feita manualmente, o que permite uma seleção mais cuidadosa dos frutos. “As pessoas que vêm aqui têm a experiência de colher a uva diretamente da parreira. O foco é mais na qualidade e na vivência do que na quantidade", diz. Os visitantes são incentivados a se envolver no processo, pegando as tesouras e cestas e escolhendo suas próprias uvas, o que torna a experiência ainda mais autêntica.
Além disso, a família mantém práticas que mesclam o cultivo orgânico com técnicas tradicionais. “O que é importante para nós é manter a qualidade e respeitar o ciclo natural das frutas. A colheita acontece na época certa, e sempre que há excesso de chuva, estamos atentos às doenças, como a mofa e a podridão, que são mais comuns nesses períodos”, informa o produtor.
Turismo Rural
Nos últimos anos, o turismo rural tem se tornado uma importante iniciativa para a família Bianchi. O local tem atraído visitantes interessados em comprar uvas frescas, conhecer as parreiras e vivenciar a experiência de uma colheita manual. “A gente percebe que o pessoal da cidade vem para se conectar com o interior. Eles pagam para colher, e o valor acaba sendo até maior do que se fosse comprar diretamente no mercado”, acrescenta Alex Bianchi.
Com a introdução do turismo, a propriedade tem se tornado um destino para quem busca mais do que um simples passeio rural, mas uma verdadeira experiência de vida no campo. O diferencial está no contato direto com a natureza e no aprendizado sobre o cultivo das uvas, algo que muitos visitantes não têm oportunidade de vivenciar no dia a dia urbano.
Os passeios da safra de uva promovidos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo de Erechim, incluem transporte, animação musical e guiamento dos participantes nas visitações a vinhedos, degustação de uvas e derivados. As saídas são realizadas em frente à Prefeitura de Erechim, com um número mínimo de 30 pessoas que são acompanhados por um condutor de turismo.
Projeções futuras
O Vinhedo Bianchi está implementando novos projetos, como a construção de um espaço de turismo e degustação, ainda em fase de planejamento.
“O objetivo é criar um ambiente onde as pessoas possam vir, degustar um vinho mais fino e levar para casa uma garrafa que reflete a qualidade da nossa produção”, explica o proprietário. Embora o projeto esteja em andamento, ele acredita que, com o tempo, a estrutura será concluída e se tornará um ponto de destaque para o enoturismo local.
Além disso, a adaptação à agricultura orgânica e a utilização de mudas próprias, que são cultivadas na propriedade, também fazem parte dos planos futuros, visando manter a sustentabilidade e reduzir os custos com insumos externos.