Primeiro vestibular da graduação será em 2017, quando a universidade completa seus 25 anos
A URI Erechim ofertará a partir do próximo ano o curso de Medicina. A informação foi divulgada oficialmente ontem (27), a partir da publicação no Diário Oficial da União e abre caminhos para os próximos passos da implantação da graduação no município. Mais do que uma publicação oficial, o momento marca o início de um novo ciclo para a URI, que completa em 2017 – ano do primeiro vestibular do curso – seus 25 anos de história no Alto Uruguai.
Em entrevista exclusiva ao Bom Dia na tarde de ontem, os diretores da universidade falaram sobre detalhes da graduação, salientando que o próximo passo consiste na entrega da garantia de execução e assinatura de termo de compromisso ao Ministério da Educação. O prazo para isso inicia hoje (28) e se estende até o dia 11 de outubro.
A partir disso, conforme explica o diretor geral da URI, Paulo Sponchiado, a instituição têm o prazo máximo de 180 dias para a implantação efetiva da primeira turma do curso. “Esses são os caminhos que temos que percorrer de acordo com o edital e nossa intenção é que já no primeiro semestre de 2017, provavelmente em meados de março tenhamos iniciado a Medicina na universidade. Esse é o nosso objetivo”, pontuou.
Projeto de R$ 5 milhões
O investimento da URI na implantação do curso de Medicina, segundo o diretor administrativo, Paulo Roberto Giollo, é de cerca de R$ 5 milhões a serem aplicados na construção e adaptação de laboratórios. Ele explica que os investimentos vêm sendo feitos em etapas, já que o edital prevê o prazo de seis anos para implantação completa do curso. “A Medicina corresponde ao orçamento de 20% de todos os cursos, ou seja, é um volume considerável de recursos. Porém, vale lembrar que já estamos adiantados em alguns aspectos, pois parte da estrutura necessária já temos em função da oferta dos outros cursos da área de saúde”, pondera.
Sponchiado lembra ainda que grande parte do curso será realizada fora da universidade, levando em conta a parte prática da graduação. “A maior parte do curso se dará, de fato, nas estruturas de saúde pública de Erechim, Getúlio Vargas e Nonoai, através de seus hospitais e unidades básicas de saúde”, destaca.
Quanto ao corpo docente, a diretora acadêmica, Elisabete Maria Zanin explicou que as disciplinas básicas já têm, em sua maioria, professores inclusive com titulação de mestrado ou doutorado que atuam em outros cursos. “Em relação aos profissionais médicos, nós já vínhamos fazendo concursos e já temos alguns concursados para algumas disciplinas que elencamos como as primeiras a serem desenvolvidas. Evidentemente ainda haverá necessidade de outros concursos, mas se necessário temos a possibilidade de fazermos contratos emergenciais no caso de eventualidades como a de professores estarem em processo de qualificação, por exemplo”, explica.
Processo seletivo e mensalidades
Os diretores da URI adiantaram ao Bom Dia que o processo seletivo para o curso, que deverá ocorrer provavelmente em março, se dará através da utilização das notas do Enem e de redação a ser realizada presencialmente na instituição. Esse processo seletivo será especial para a graduação em Medicina, já que os demais cursos realizam vestibular de verão em novembro. “Ressaltamos que esse processo, desta forma, passa por uma discussão interna entre os conselhos da universidade. Essa modalidade de vestibular, neste formato, será validada entre esses conselhos, através de toda sua regulamentação”, destacou Elisabete.
Questionados sobre o provável custo das mensalidades do curso, os diretores adiantam que o valor deverá girar em todo de R$ 5 mil. No entanto, eles destacam que esta foi a proposta que fez parte do edital quando este foi enviado ainda em 2015. “De lá para cá a economia como um todo passou por diversos reajustes, o que certamente impactará nesse valor, que ainda não está definido”, explicou Sponchiado, destacando que a definição deste custo segue uma tendência de preços de cursos de Medicina na região.
Giollo enfatizou ainda que está prevista para o curso a oferta de bolsas através de Prouni, bem como financiamentos via Fies. Salientou ainda que a própria URI ofertará bolsas próprias. “Essas políticas também estavam previstas no projeto e vêm como um estímulo aos estudantes”, pontuou.
Por fim, Sponchiado ressaltou o comprometimento da universidade com a qualidade do curso que será oferecido. “Agora o momento de arregaçar as mangas e trabalhar, pois não é um curso simples, começando pela responsabilidade da formação profissional. Queremos oferecer um curso de qualidade que terá aprimoramento contínuo. O próprio MEC fará um acompanhamento disso em razão da complexidade da graduação. Nosso foco é oferecer todas as condições para que se formate um curso de qualidade”, finaliza.
Cinco anos de construção
Sponchiado ressaltou durante a entrevista que todo o processo para a vinda do curso ao município completa em 2016 cinco anos. “Foi um trabalho construído a muitas mãos que representa o desejo e a expectativa não só da URI, mas da comunidade regional como um todo que vislumbrava a Medicina em uma instituição como a nossa. A publicação [no DOU] é sem dúvida uma alegria, uma satisfação. É a consolidação desse trabalho que durou cinco anos desde sua concepção”.
A diretora acadêmica Elisabete Maria Zanin chamou atenção para o fato de que a aprovação do curso na instituição representa a maturação da universidade, que completa em 2017 seus 25 anos de existência. “Até mesmo pela complexidade que uma graduação assim representa no sentido de exigir toda uma estrutura diferenciada não só da própria instituição, mas de toda uma conjuntura de outras entidades que trabalharam e trabalharão junto para que este curso aconteça. Demonstra um processo de maturação, pois foi o trabalho realizado nesses 25 anos que garantiu à URI esta possiblidade”, destacou.
Ao citar as mudanças ocorridas dentro do processo de implantação do curso, Elisabete destacou ainda que todo o período serviu para “fortalecer a universidade na busca pelo curso. “A nossa felicidade hoje está no fato de finalmente ter saído no Diário Oficial da União a publicação da URI, mas era uma conquista que já tínhamos lá atrás, desde que fomos selecionados, aprovados, o que mostrava que estávamos no caminho certo e que já havíamos acertado”, disse.