Alface, tomate, rúcula, couve-flor. Para diversificar a oferta de produtores disponibilizados na feira do produtor e atrair os consumidores, a agricultora Ladi Rakoski, 47 anos e o marido Airton, cultivam desde o ano passado, na comunidade Escola Branca, interior de Erechim, 0,5 hectares de mandioca salsa. A aceitação dos consumidores e a rentabilidade foram fatores que fizeram com que o casal repetisse o plantio neste ano. A mudança foi de área, que passou para um local irrigado, para driblar as dificuldades enfrentadas com a cultura que é nova até mesmo para os técnicos, mas que tem grande aceitação da população e mercado garantido na região.
“O feirante precisa ter novidades e a mandioca salsa traz uma boa rentabilidade”, diz Ladi.
A mandioca salsa é uma planta de origem dos Andes, de acordo com o agrônomo da Emater Regional, Paulo Trierveiler. No Rio Grande do Sul ela tem uma história antiga, já era cultivada há tempos, trazida do Paraná, mas cultivada sem os devidos manejos, da variedade de polpa branca.
Pelo segundo ano, um trabalho conjunto entre os escritórios da Emater Municipal de Erechim, Regional e prefeitura, estão sendo trazidas de Santa Catarina, mudas para produtores da região, os quais adquiriram as mesmas, para cultiva-las de forma comercial.
No ano passado, foram 40 mil mudas e neste ano serão 60 mil, que foram distribuídas nesta semana. Na safra passada foram encontradas algumas dificuldades de lidar com as plantas, até por ser uma cultura nova. Mas buscou-se ajuda com pesquisadores da Embrapa Hortaliças, de Brasília, o qual ministrou uma palestra para técnicos em Erechim e analisou lavouras da região, repassando orientações. Para esta safra, a principal mudança foi a escolha das áreas. Serão cultivadas mandioca salsa somente em áreas irrigadas.
De polpa amarela, sabor intenso e um perfume bastante acentuado, a mandioca salsa conquistou os consumidores. A variedade é Senador Amaral.
Produtividade
Conforme o técnico agropecuário da Emater Municipal Edgar Copatti, se bem manejada, a produtividade pode chegar a 25 toneladas por hectare. Mas o comércio é restrito em função do preço.
“O objetivo é produzir para que os agricultores tenham disponibilidade maior e que o preço se torne mais acessível, além de que os produtores tenham uma opção de renda maior, vinculada a produção de hortaliças”, diz.
Comercialização
O agrônomo Paulo Trierveiler comenta ainda que a mandioca comum lavada e descascada é comercializada na feira por R$ 2,50 kg, já a mandioca salsa, sem descascar é comercializada de R$ 7,00 a R$ 12,00.
Desafios
O plantio ocorre de setembro a dezembro e a colheita a partir de maio. Entre os desafios com a mandioca salsa, Trierveiler destaca o ensinamento dos agricultores a produzirem suas mudas, que hoje são adquiridas em Santa Catarina.
“Outro desafio técnico é iniciar o processo vegetativo dentro de uma estufa para depois transplantar. Primeiro fazer as mudas num prazo de 30 a 60 dias até que estejam enraizadas e depois transplantá-las para o céu aberto. Desta forma poderíamos selecionar as mudas e plantá-las de maneira uniforme.
A hortaliça não gosta de temperaturas extremas e essa é outra necessidade de adaptação. Além disso, fazer o plantio em solo não compactado é a recomendação para produzir mais raiz e menos coroa”, conclui.