A Redação do Jornal Bom Dia foi às ruas perguntar para população como ela vê o trânsito de Erechim e avalia o seu funcionamento diário, se é seguro dirigir e caminhar nas ruas do município. A mobilidade urbana envolve a interação e o deslocamento equilibrado entre pedestres, ciclistas, pessoas com deficiência, motoristas de carros, caminhões, motos e o transporte público, e está relacionado, diretamente, ao bem-estar das pessoas.
Trânsito estressante
O motorista de aplicativo, Avelino Lopes, que mora no bairro Poltronieri, em Erechim, trabalha há três anos nesta profissão e está satisfeito com a sua nova profissão. Antes ele era supervisor de obras, mas optou por um trabalho mais acessível para ficar perto dos filhos. “Hoje, eu fico em torno de 16 horas no trânsito”, afirma.
Avelino tem muita experiência como motorista em função do antigo trabalho de supervisor de obra dirigindo por todo o Brasil. “Eu acho que no trânsito de Erechim as pessoas estão com pouca educação e pouca paciência. Erechim está prosperando, é uma cidade bem aconchegante, mas tem muita coisa pra fazer, e o nosso povo precisa ter mais paciência. Este aprendizado começa desde a formação na autoescola”, observa o motorista.
Segundo Avelino, a fiscalização de trânsito deveria ser um pouco mais rigorosa. “Porque tem carros que passam muito rápido num lugar que não precisa, sem necessidade. E a gente que está no trânsito, dia e noite, tem que cuidar de todo mundo, inclusive dos outros. Erechim está uma cidade muito caótica e eu não posso andar todo estressado, tenho que ser cuidadoso e respeitar o trânsito. Dirigir no trânsito de Erechim está muito estressante”, comenta Avelino.
De acordo com o motorista, há excesso de carros e pela quantidade que se tem as ruas de Erechim deveriam ter mais fluxo. “Por exemplo, a avenida 15 de Novembro os estacionamentos são oblíquos, precisaria tirar isso. Pra gente que anda o dia todo e à noite o trânsito não flui e isso aí gera 80% dos problemas no trânsito”, afirma.
Ritmo tranquilo
A dentista, Yasmin Bianchini, que mora na área central, dirige e circula a pé pela cidade, afirma que o trânsito de Erechim é tranquilo, para ela que já morou na cidade de Itajaí, em Santa Catarina. “Erechim é seguro perto de onde eu morava antes. Eu acho bem tranquilo andar nas ruas e dirigir em Erechim. Só caminhar à noite fico com um pouco de medo”, comenta. Ela acrescenta que não tem nada de negativo no trânsito de Erechim.
“O que me chama atenção é que o pessoal anda mais devagar, com mais calma, não tem tanta pressa. Eu que estou voltando de cidade grande sinto bastante a diferença. O ritmo é mais tranquilo. Só as motos correm um pouco mais”, afirma Yasmin.
Bem perigoso
Para a aposentada, Jucenia Contri, que mora na área central, caminhar em Erechim é muito perigoso. “É demais, principalmente, as motos, fico com medo até quando ando de carro, porque eles não respeitam, vão cortando, se enfiando, eles andam muito rápido e, principalmente, nos dias de chuva. Eles não têm lado para andar. Eu passo na faixa de segurança, espero, e olho para os lados, antes de atravessar. Andar no centro é bem perigoso, tem que ter muito cuidado. O trânsito está muito acelerado, demais, o motorista precisa se cuidar e o pedestre muito mais”, observa Jucenia.
Tem que ter cuidado
“Tem que ter cuidado no trânsito de Erechim, tem uns que respeitam e outros a gente precisa ter cuidado, senão eles passam vêm pra cima. A velocidade me dá medo, quando os carros andam muito rápido, a gente acha que está longe e quando vai atravessar a rua o veículo já está em cima. Os motoristas precisam ter um pouco mais de cuidado e respeitar mais os pedestres, porque eles andam muito rápido no centro”, ressalta a aposentada, Inês Signor de Lara, que costuma fazer suas coisas a pé pela cidade e mora na área central.
Diretoria de Trânsito
Conforme levantamento da Diretoria de Trânsito da Prefeitura de Erechim, o município possui, aproximadamente, 90 mil veículos licenciados. “Com este aumento na frota, cresce, também, a preocupação com o comportamento dos motoristas no trânsito. Cada vez mais, tem sido comum o desrespeito à semáforos e placas de sinalização, o que tem gerado alerta entre autoridades e moradores”, afirma a Diretoria de Trânsito, em nota.
Segundo a Diretoria de Trânsito, a falta de respeito às normas básicas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) compromete não apenas a fluidez do tráfego, mas, também, coloca em risco a vida de motoristas, pedestres e ciclistas.
Avançar o sinal vermelho, por exemplo, é uma infração gravíssima. De acordo com o CTB esse tipo de conduta resulta em multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O descumprimento de placas de ‘Pare’, ‘Proibido estacionar’ e ’Sentido obrigatório’ também pode gerar penalidades que variam de médias a gravíssimas, dependendo da infração, segundo a Diretoria de Trânsito.
Ações para enfrentar os problemas
Conforme o órgão municipal, diversas ações estão sendo planejadas para enfrentar estes problemas e entre as medidas previstas, estão o aumento na fiscalização, tanto por agentes quanto por câmeras; campanhas de conscientização sobre a importância da sinalização; melhorias na sinalização vertical e horizontal; parcerias com escolas e instituições para promover a educação no trânsito; e a instalação de redutores de velocidade e controladores eletrônicos. “Estamos atentos às demandas da população e sabemos da importância de garantir mais segurança e respeito nas vias públicas”, afirma a Diretoria de Trânsito.
Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Erechim
Importante lembrar que o município já tem um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável com estudos e métricas da maioria dos problemas que Erechim vive no trânsito.
O Plano de Mobilidade visa a descentralização do trânsito, organizando a circulação de veículos, buscando reduzir os atuais conflitos. O projeto busca democratizar o espaço público, promovendo a circulação de diferentes formas de deslocamento, em segurança. E, também, prioriza o pedestre, hierarquizando o espaço disponível dando ênfase aos modais não motorizados.
O projeto analisou, por exemplo, mais de 30 pontos críticos da área urbana, e apresentou soluções eficientes para estas “zonas de conflitos” que aguardam ser implantadas pela prefeitura.