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Rural

Mais um tratoraço e mobilização em prol da securitização das dívidas dos agricultores

Produtores rurais irão se reunir na BR 153, em Erechim, nesta sexta-feira (27), a partir das 10h. O local de concentração será em frente à empresa Kesoja

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Nesta sexta-feira (27), a partir das 10h
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Os produtores rurais irão se reunir, novamente, na BR 153, em Erechim, para mais um tratoraço, nesta sexta-feira (27), a partir das 10h. O local de concentração será em frente à empresa Kesoja. A mobilização se dá em prol da securitização das dívidas do setor no Rio Grande do Sul, que teve quebra em cinco safras entre 2020 e 2025. As perdas na agricultura chegam a 51,3 milhões de toneladas, mais de R$ 300 bilhões em prejuízos, que equivalem a quase meio PIB do estado. Sem renegociação, 35% dos produtores do estado não terão como plantar, segundo informações da Farsul.

Conforme o produtor rural, Jacson Munaro, o movimento é ordeiro e pacífico, não tem liderança, sindicatos, prefeitura, políticos, é uma manifestação dos produtores da região por renegociação e mais prazo para pagar as contas. Ele ressalta que a região Alto Uruguai também sofreu com os eventos climáticos, uns mais, outros menos, mas todos foram afetados e tiveram prejuízos.

Segundo Jacson, os investimentos foram feitos para se colher uma boa lavoura, mas a quebra na safra, mais o preço baixo da saca da soja, que está R$ 120, não paga sequer a conta. “A nossa situação é triste”, afirma. O produtor ressalta que a crise do campo já chegou à cidade, conversando com empresários deste segmento, porque houve diminuição nas vendas dos mercados de 20% a 25%. “Não estamos falando de algo supérfluo, mas de alimentação”, destaca.       

“Convidamos agricultores de Erechim e região para participar desta mobilização em prol do setor agrícola do estado, queremos renegociar as dívidas via projeto de lei (PL 320/25), que depende de aprovação “, afirma Jacson.

Menor inadimplência

Os produtores do Rio Grande do Sul são os que têm menor inadimplência do setor no Brasil, a média nacional é de 7% a 8% e o produtor gaúcho é de 4,3%. Além do alto endividamento dos produtores, em função de sucessivas perdas nas safras, faltam políticas públicas adequadas para o setor agrícola. O produtor está descapitalizado e os juros praticados são muito altos de 18% a 20% ao ano.

Conforme a Farsul, a produtividade média da soja no Rio Grande do Sul, nos últimos 10 anos, foi de 49 sacos por hectare, e, nos últimos cinco anos, a média caiu para 36 sacos por hectare.

Endividamento

Os produtores gaúchos têm dívidas de R$ 72,8 bilhões nas instituições financeiras e R$ 27 bilhões (38%) vencem em 2025. Deste total de 2025 quase 20% se referem a renegociações e prorrogações de anos anteriores. Ainda há dívidas significativas fora do sistema bancário, com cooperativas, revendas de insumos e cerealistas.

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