Erechim e região do Alto Uruguai, ao longo dos anos, sempre despontou localmente, como internacionalmente através de seus moradores que, ou escolhem países para realizar aprimoramentos educacionais ou profissionais, ou aqueles que definitivamente largam tudo e buscam, além mar, uma nova oportunidade de vida e, como camaleão, se adaptam aos novos locais, empreendem e trilham o sucesso.
E esta difícil decisão foi dada por Marcos Simon Leite, que saiu de seu município de Entre Rios do Sul com sua família para Portugal há quase três anos. Em entrevista para o Grupo Bom Dia de Comunicação, ele, juntamente com sua filha Bruna, falaram um pouco do que é viver em terras distantes. Desde que saiu do Brasil é colunista assíduo do jornal Bom Dia pontuando os mais diversos temas de interesse da comunidade local e internacional.
Empresário no ramo de livraria, jornalista, colunista e articulador político, Marcos vai trilhando seu caminho e destacando-se onde mora. Mesmo com saudades do Brasil, mas principalmente de seus familiares e amigos, destaca que agora é uma nova etapa de sua vida e voltar não está nos seus planos.
De férias, aproveitou para vir ao Brasil onde garante que um de seus maiores desejos era comer um excelente churrasco rodeado de amigos, fato que ocorreu nesta semana em um município da região.
“Embora estarmos uma vez por semana no jornal Bom Dia, é uma honra voltar para casa e conversar, hoje acompanhado com minha filha que cursa jornalismo”.
Bruna, que saiu do Brasil com o Ensino Médio, iniciou a sua caminhada profissional na faculdade de Comunicação daquele país, garante que o jornalismo ensinado em Portugal está no mesmo caminho do ensinado no Brasil, sendo que a diferença é que Portugal é um país menor o que aproxima mais a população com a notícia.
Em Portugal, garante Marcos, o jornalismo tem umas características diferentes do Brasil, vivência que manteve durante o seu Mestrado em Jornalismo naquele país. “O primeiro fato que me chamou a atenção é a cooperação, ou seja, matérias que são veiculadas em um canal, quando são de interesse público, também acabam passando em outro canal sem nenhuma vaidade ou disputa, ou seja se trabalha junto levando muito a sério a questão da ética, como também existe uma linha mais sensacionalista que cai no gosto popular”.
Outro ponto que chama a sua atenção, é o quanto o jornalismo é valorizado em Portugal como um guardião da Democracia. “A independência do Brasil tornou o país República em 1889, já Portugal só veio a ser República com o mesmo viés de golpe que foi no Brasil. Em Portugal, somente em 1910 e essa democracia durou poucos anos, quando foi instaurada uma Ditadura no país que durou muitos anos, até 1974 onde o jornalismo foi muito sacrificado como era no Brasil após 1964”.
Com relação a sua opção de abrir uma livraria em Portugal, mais precisamente de uma cidade do interior, Marcos destaca que tudo começou pela razão que lhe fez ir para Portugal. “Quando comecei a escrever para o jornal Bom Dia, o que já são quatro anos, o meu interesse era me qualificar para ser um escritor e o Mestrado em jornalismo foi amaneira que encontrei para me qualificar no ponto de vista acadêmico. No jornalismo, mesmo dentro de todas as crises que ele vive no Brasil e no mundo fui me envolvendo com o jornalismo literário, segmento que mais me chamava a atenção”.
Marcos, trabalhando em cima do jornalismo literário, acabou se envolvendo com esta outra linha, que muitos, conforme ele, não consideram que seja jornalismo e outros não consideram que seja literatura. “A ideia da livraria surgiu após uma necessidade de ter um trabalho assim que terminou a minha fase acadêmica. Inspirado em Erechim na livraria Agri Doce, abriu a Tertúlia, Livraria e Café, “pois o português não vive sem esta bebida e a leitura, é quase como churrasco e carvão”.
Curiosamente, em sua cidade que tem 50 mil habitantes, não havia nenhuma livraria, a única fica no shopping e só vende lançamentos. “Portugal tem uma literatura fabulosa com centenas de escritores. Fomos descobrindo este universo e se apaixonando. Nossa livraria é em economia circular onde nossos clientes são também nossos fornecedores. Vendemos livros novos, mas nosso foco é fazer com que a cultura recircule, que saia das prateleiras das casas e que possa chegar com preço mais acessível principalmente ao público universitário que chega a 12 mil estudantes vivendo próximos a livraria”.