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Expressão Plural

O novo brinquedo da FIFA

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

A Copa do Mundo de Clubes chegou ao fim e, para quem ainda duvidava da ambição por trás do projeto, a resposta foi clara: o torneio virou o novo brinquedo da FIFA. Com sede nos Estados Unidos, bancado por cifras bilionárias e cercado de costuras políticas, o campeonato ganhou peso, repercussão e, principalmente, o tipo de atenção que Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol, vinha buscando há anos. Ele venceu mais uma batalha pelo controle do espetáculo, com a bola nos pés e os interesses nos bastidores.

A ideia de transformar o Mundial de Clubes em uma grande vitrine era antiga, mas só começou a tomar forma com a combinação de dois elementos: apoio político e dinheiro. Após o projeto com a China ruir, a escolha dos Estados Unidos como sede não foi aleatória. Além da infraestrutura e do alcance midiático, pesou a proximidade entre Infantino e o presidente Donald Trump, com quem o cartola mantém uma relação de amizade desde 2018, quando houve a eleição estadunidense como anfitrião da Copa de seleções de 2026.

O grosso do financiamento veio do outro lado do mundo. A Arábia Saudita, por meio do PIF, seu fundo soberano, garantiu que a FIFA pudesse executar o torneio sem limitações. Premiações generosas, campanhas de marketing e acordos comerciais foram viabilizados com o dinheiro saudita, numa parceria que já vem moldando outros projetos no esporte mundial, como a compra de clubes europeus, a ascensão da liga saudita e incursões na Fórmula 1.

Dentro das quatro linhas, no entanto, o futebol ainda pulsa, e os clubes brasileiros mostraram isso com força. Apesar do abismo econômico em relação à Europa, Fluminense, Palmeiras, Flamengo e Botafogo surpreenderam. Jogando com intensidade, demonstraram uma competitividade que muitos julgavam perdida e, com isso, conquistaram vitórias importantes e um certo respeito. Foram campanhas dignas, que reafirmaram o peso da camisa brasileira e mostraram que ainda há espaço para talento e tradição, mesmo em um ambiente moldado pelo capital estrangeiro.

No fim, o título ficou com o Chelsea. Um clube que, curiosamente, também tem raízes no dinheiro externo, adquirido por um bilionário russo no passado, e hoje sob o comando de um consórcio estadunidense. A conquista foi celebrada por torcedores do mundo inteiro, porque, afinal, ninguém é obrigado a torcer apenas para o time de sua cidade. Esse é um pensamento arcaico. O futebol, mais do que nunca, é global. E o carinho por um clube pode nascer de uma final emocionante, de um craque carismático, de uma camisa bonita ou de uma lembrança da infância.

O Mundial reformulado tem cara de evento de gala, igualado à Copa do Mundo de seleções. A competição veio para ficar, e já se discute uma redução da periodicidade de quatro para dois anos.

Enfim, é possível ainda questionar se o futebol está se afastando demais de suas origens populares ou se está apenas acompanhando os tempos. O que não se pode negar é que o novo formato do Mundial de Clubes foi um sucesso, e que a FIFA, mais uma vez, soube brincar melhor do que todo mundo.

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