Mestranda em Ciências Humanas da UFFS Campus Erechim
Agente de programas sociais do Sesc/Erechim
Rotina atarefada, correria, milhões de coisas para fazer. O mundo tem pressa. As buzinas dos carros parecem gritar: ligeiro, vamos logo com isso. A humanidade se atropela, num desatino danado em busca de cada vez mais produtividade. E de tanto tentar produzir, estão todos exaustos. Somos a sociedade do cansaço, como bem aponta o filósofo contemporâneo Byung Chun Han. Cansados de correr atras de uma linha de chegada imaginária, num percurso recheado de obstáculos que só aumentam em número e quantidade, sucumbimos.
Fazer yoga, pilates, treinar, meditar, estudar, cuidar da casa, dar atenção para a família, trabalhar, ufa!!! Cansa até mesmo de ouvir! É tanta tarefa a ser feita, que vamos nos afastando de quem nunca deveríamos: nós mesmos. É isso mesmo: são tantos afazeres que quando menos se espera você já se perdeu de você e então se dá conta de que está no modo automático. Chega a dar uma saudade de si mesmo: qual minha cor favorita? E meu prato predileto? Somente neste momento de descolamento do eu verdadeiro é que se nota a necessidade de “voltar para casa”.
O movimento de retorno ao que se é torna-se maçante quando não se sabe apreciar o caminho, a jornada. Por mais difícil e dolorido que seja o processo de autoconhecimento, as dificuldades não devem influenciar a percepção do caminhante. Lembra do livro Poliana? Nessa hora, se coloca em pratica o Jogo do contente. É preciso ver o copo meio cheio, coloque seus óculos de lentes azuis e veja o mundo com outra cor, de outro jeito.
É somente quando perdemos as pequenas coisas do cotidiano que percebemos o quanto alguns momentos são preciosos. De repente, sem esperar um lugar que você gostava de tomar café, fecha. Ou então um grande amigo se muda para um lugar distante, impossibilitando os encontros diários, espaçando os abraços. Pessoas que amamos se vão e perdemos a oportunidade de dizer o quanto as amamos. São os pequenos lutos, as perdas diárias das pequenas e grandes coisas que nos rodeiam.
Quando estas perdas chegam para é que fica mais importante ainda saber quem se é, ter consciência e lucidez, de que apesar da perda, ainda estamos ali, machucados, desorientados, mas vivos, respirando, resistindo.
Tudo isto parece muito clichê, a conversa mais batida, afinal todos sabemos da nossa finitude, que se estende as coisas que nos rodeiam. Então se sabemos, devemos estar lúcidos e conscientes quanto a isso. A vida é agora! Aproveite cada momento como se fosse o último. Perceba na rotina diária os pequenos milagres que nos cercam todos os dias, pois são eles que fazem a vida valer a pena.