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Rural

Manejo para altos rendimentos do milho

Qualidade dos grãos de milho e rendimento dependem de mais de 50 fatores, relacionados com a genética, solo, clima, tecnologias de manejo utilizadas e dos processos fisiológicos internos

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Doutor em Agronomia, Elmar Floss
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

O milho é a principal cultura produtora de grãos no mundo e a segunda no Brasil, utilizado como alimento humano e animal, na produção de etanol e matéria prima para vários produtos industrializados. A principal utilização do milho é na alimentação de frangos de corte e postura, suínos e até mesmo de bovinos de leite, associado com o farelo de soja. Trata-se de um cereal de alta adaptabilidade, sendo cultivado, atualmente, em quase todas as regiões do globo. 

“Na safra de 2015/16, a produção mundial de milho foi de 966,4 milhões de t, no Brasil de 69 milhões de t. Trata-se da cultura maior produtora de grãos do mundo, a segunda no Brasil e a terceira no Rio Grande do Sul. No entanto, os rendimentos médios no Brasil e no Rio Grande do Sul, são baixos quando se considera os potenciais de rendimento obtidos nas propriedades que adotam a moderna tecnologia de manejo hoje disponível”, diz o doutor em Agronomia, Elmar Luiz Floss.

Segundo ele, o baixo rendimento médio de milho no Brasil, deve-se, principalmente, a produção inadequada e má distribuição de plantas, falta de cobertura verde/morta, inadequadas propriedades físicas do solo, adubação nitrogenada abaixo das necessidades da cultura, deficiência de zinco e deficiência hídrica.

 

Altos rendimentos

Segundo Floss, altos rendimentos de grãos de milho, com qualidade, dependem da conjugação de mais de 50 fatores, dentre os genéticos, ambiente, manejo da cultura e fatores fisiológicos internos da planta. “Otimizar todos os fatores envolvidos com a lavoura, antes e durante o desenvolvimento das plantas. Saber o ideal e fazer o possível, para aliar o aumento da produtividade com aumentos na rentabilidade”.

 

Fatores edáficos

O milho exige solos com boa estrutura física, com boa permeabilidade à água e ao ar. Podem ser de textura argilosa ou areno-argilosa desde que tenham boa estrutura. Não suporta solos encharcados, pois necessita de boa aeração junto às raízes. E, solos com uma saturação de bases superior a 70%, alta CTC e descompactados.

 

Nutrição

O milho de altos rendimentos exige muito nitrogênio, uma quantidade menor de potássio e menos de fósforo assimilável. O pH ótimo situa-se próximo de 6,0 e 6,5.

 

Clima

A cultura exige durante o período vegetativo abundância de calor para desenvolver-se e produzir normalmente. O rendimento do milho está diretamente relacionado com a disponibilidade de luz, pois é classificada como planta C4. Para que ocorra alta intercepção de radiação luminosa para a cultura do milho, há necessidade de alta disponibilidade de água, nutrientes e temperatura adequada. É indispensável chuva ou irrigação precedente a época de fecundação dos óvulos nas espigas. Floss salienta que considera-se como limitante a falta de água no período de 15 dias antes e 15 depois da floração do milho. “Os prognósticos climáticos indicam uma perda de força de La Niña, a partir de dezembro de 2016 e passagem para uma fase de neutralidade. No entanto, podem ocorrer períodos de falta de chuva em nossa região”, acrescenta.

 

Genética

Para obter altos rendimentos e maior estabilidade na produção é importante diversificar híbridos de diferentes ciclos e épocas de semeadura, estatura baixa, folhas curtas e eretas, com sementes de alto vigor e uniformes, dentre aqueles de maior potencial e estabilidade de rendimento, adaptados a cada região edafo-climática, época de semeadura, nível de fertilidade do solo e com uma qualidade de grãos requerida pelo mercado.

Realizar a semeadura do milho quando a temperatura do solo estiver acima de 15oC. Emergência rápida e uniforme, com velocidade de semeadura não superior a 6-8 km/h, numa profundidade  entre 3 a 5 cm, em diferentes épocas, numa densidade de plantas recomendada para cada híbrido, disponibilidade hídrica na região e nível de fertilidade do solo.

 

Controle sanitário

“Com híbridos, que apresentam ciclo cada vez mais curto, menor estatura de plantas e maiores potenciais de rendimento, os cuidados no controle fitossanitário devem ser maiores. Para o controle de pragas e moléstias, além de um adequado tratamento de sementes, é de fundamental importância a rotação de culturas e o equilíbrio nutricional das plantas, especialmente, a relação N/K”, salienta. Já na parte aérea, monitorar o ataque de lagartas, pulgões, percevejos, dentre outras pragas, pois, é de fundamental importância a manutenção de uma boa área foliar e a duração da área foliar verde e sadia, especialmente, durante o enchimento de grãos. O controle de plantas daninhas inicia com uma dessecação antecipada e a aplicação de herbicidas pós-emergência até o estádio V4.

 

Fisiologia da produção

Os principais fatores envolvidos com a produção são um adequado sistema radicular (eficiência de fornecimento de água e nutrientes), transporte de água e nutrientes das raízes até a folha, folhas curtas e eretas, com adequados teores de clorofila (eficiência na síntese), um índice de área foliar – IAF entre 3,5 a 5 (tamanho da fábrica), uma maior duração da área foliar verde e sadia (jornada de trabalho).

“Os fotoassimilados (açúcares e aminoácidos) produzidos na folha dependem da disponibilidade de água para que sejam transportados até os grãos na espiga. O boro é o micronutriente responsável pela liberação de açúcares da folha para o simplasto. Existe alta correlação entre o rendimento do milho e os teores de nitrogênio e potássio na planta nos estádios reprodutivos, o que justifica a aplicação parcelada de fertilizante nitrogenado. Portanto, a capacidade de armazenamento (dreno), depende da atividade do aparelho fotossintético, do número de grãos formados e da capacidade de enchimento desses grãos (massa)”, pontua.

 

 

 

 

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