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Expressão Plural

Nossa vã filosofia

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

O conhecimento humano caminha como quem avança por um campo coberto pela névoa: cada passo revela um pouco mais, mas sempre há sombras à frente. O que hoje parece certeza pode, amanhã, se desfazer. O homem, orgulhoso de suas fórmulas e teorias, costuma pensar que o universo se curva à sua lógica, esquecendo-se de que há séculos o mar já batia nas pedras, a lua já regia as marés e estrelas já nasciam e morriam sem pedir licença.

A “vã filosofia” não é a filosofia verdadeira, aquela que questiona e duvida, mas a pretensão de explicar tudo com a régua curta da razão. Entre o céu e a terra, há ventos que não sentimos, forças que não vemos, histórias que nunca ouviremos. Há segredos guardados no tempo, encontros que o acaso costura e sinais que se escondem de quem não sabe olhar. O invisível, por vezes, é mais real que o visível, e o silêncio pode guardar mais respostas que qualquer discurso fácil.

E, quando olhamos para cima, para o imenso céu de estrelas, não podemos deixar de nos perguntar: estamos mesmo sozinhos? É difícil crer que, em toda essa vastidão, a vida tenha escolhido florescer apenas aqui, neste pequeno ponto azul perdido no infinito. Há bilhões de sóis, trilhões de planetas, e talvez mundos inteiros onde seres tão complexos quanto nós, ou muito mais, olhem para o céu e se façam a mesma pergunta. A solidão da humanidade talvez seja mais uma daquelas ilusões que alimentamos para nos sentirmos especiais, mas também pode ser um recado de que ainda sabemos muito pouco sobre o lugar onde estamos.

Às vezes, as respostas que buscamos não vêm em grandes revelações, mas nos detalhes que passam despercebidos. Pequenos mistérios que escapam à lógica e que dão sentido ao caminhar, lembrando que a vida não pode ser reduzida a fórmulas ou certezas.

Vivemos como se fôssemos senhores do amanhã, mas não dominamos sequer o próximo segundo. Um grão de poeira cósmica pode travar uma engrenagem; um olhar pode abrir uma porta que estava fechada por dentro. Somos navegadores de um oceano que não conhecemos por completo, guiados por mapas que nós mesmos desenhamos, sem notar que eles deixam de fora vastas terras ainda não descobertas.

Talvez a maior sabedoria não esteja em dominar todos os mistérios, mas em aceitar que eles existem. Porque, se o mundo fosse todo decifrado, perderia um pouco de sua poesia, e talvez também um pouco de sua graça. É naquilo que não compreendemos totalmente que mora o fascínio que nos move. No brilho de uma estrela que já morreu, mas que ainda emite sua luz. No silêncio de uma montanha que observa os séculos passarem. Naquilo que nos escapa e, justamente por isso, nos convida a continuar procurando.

Entre o céu e a terra, há muito mais do que podemos nomear. Há respostas que talvez não estejamos prontos para ouvir e há milagres que passam despercebidos por quem caminha apressado. Talvez seja preciso, de vez em quando, parar, respirar e olhar em volta. Quem sabe assim podemos nos dar conta que o maior mistério não está lá fora, mas aqui dentro, e que, no fundo, seja essa a resposta que buscamos desde sempre.

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