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Expressão Plural

Quando o passado e o autoritarismo rondam a porta da democracia

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Carlos da Silveira.jpeg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

De acordo com a classe científica — e sou adepta a ela —, fomos criados a partir do Big Bang. Ou seja, de partículas microscópicas nos tornamos o que somos hoje, após um processo de evolução que levou bilhões e bilhões de anos. Passamos por diversas eras, o mundo se transformou, houve evolução de espécies, veio o meteoro, o curso do mundo mudou e, depois, se adaptou. O que era água virou terra; o que era terra virou mar. Em resumo, giramos no universo e nos transformamos a cada segundo. Hoje, estagnados em evolução, seguimos à risca nossa caminhada: nascer, viver e morrer. Não há volta nem segundo tempo.

Mas, nessa caminhada desde o Homo sapiens, muita coisa aconteceu em solo terrestre. Saímos da era dos dinossauros, sem a presença humana; iniciamos nossa vivência nas cavernas; descobrimos o fogo, a roda, as moradias, as armas; passamos dos cultos à fé e, daí por diante, chegamos ao que somos hoje: animais inteligentes, que falam, pensam, destroem tudo à sua volta, matam crianças, estupram a própria espécie e criam seu maior algoz — bombas atômicas que, em solo terrestre, descansam e que podem nos levar a reiniciar o processo desde o princípio. Isso, é claro, se sobrevivermos.

Nesta trajetória evolutiva, temos várias nações, com religiões diferentes, leis diferentes, pensamentos diferentes. Mas tudo é uma coisa só, cabendo na mesma esfera, ainda que em pontos distantes, chamados continentes e países — uns grandes, outros minúsculos. Dividimo-nos, temos línguas, culturas e costumes distintos. Nem tudo, porém, é perfeito: no mesmo solo, coexistem os mais ricos e os mais pobres; há democracias e há ditaduras; há aqueles que já conquistaram tudo o que podiam e aqueles que ainda lutam para saciar a fome.

Mas e se, nessa mesma esfera, existirem nações que, de uma forma ou de outra, queiram ser sempre as mediadoras do mundo? Que busquem concentrar potência armamentista, recursos financeiros e tecnologia de ponta, transformando isso em arma para colocar outras de joelhos, mesmo contra a própria vontade?

E se, nesse contexto, houver homens que, em nome da democracia, apostem todas as cartas para transformar essa submissão forçada das nações em uma guerra política e ideológica? Como fica a palavra “democracia” quando o objetivo é alcançar o poder total sobre o mundo? Quem dá as cartas? Quem move o tabuleiro do xadrez mundial? Quem acena para um mundo mais igualitário, com menos desigualdade entre ricos e pobres, como vemos hoje?

Num passado não muito distante, já vimos nações sucumbirem a homens autoritários. Hoje, poder e religião, unidos, tornam-se um bálsamo para muitos, mas quem sofre é a ponta mais fraca — justamente onde a democracia deveria ser respeitada à risca. A ideia de que o voto feminino não deveria existir e de que homens brancos e ricos deveriam dominar as nações parece ganhar nova versão em terras antes consideradas extremamente democráticas.

Neste contexto, o que somos hoje nessa esfera que sobrevive e se renovará, mesmo que destruída? Que homens esperamos ver à frente das nações quando o pior acontecer? Que homens esperamos quando tudo der errado? Que democracia teremos logo ali, quando os mais poderosos do mundo ditarem as regras que teremos de seguir?

Que sejamos mais democráticos e menos intolerantes. Que sejamos mais humanos e menos irracionais.

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