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Especial

Quatro décadas de ensino pautadas pelo olhar humano

Cleunice Badalotti Dufloth construiu uma carreira guiada pelo respeito ao ritmo e às potencialidades de cada estudante

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Por Gabriela de Freitas
Foto Luciane Bueno

A trajetória de Cleunice Badalotti Dufloth na educação começou em 1972, logo após concluir o Magistério, em turmas de ensino supletivo voltadas a jovens e adultos. No ano seguinte, já cursando Estudos Sociais na URI Erechim, assumiu a disciplina de História em Itatiba do Sul e, em seguida, ingressou em escolas polivalentes do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino (Premen), após curso intensivo de formação em Porto Alegre.

Ao longo das décadas, construiu uma carreira diversificada: foi professora, supervisora, auxiliar de direção, diretora e orientadora educacional. Atuou no Colégio Estadual Professor Mantovani, no Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali, no Centro Educacional Dom, no Instituto Barão do Rio Branco e em outras instituições, acumulando experiências que, segundo ela, moldaram sua visão de que “educar vai muito além da transmissão de conteúdo”.

Em 2002, ao assumir a orientação educacional no Barão do Rio Branco, viveu uma fase marcante. O trabalho incluía acompanhar estudantes em dificuldades de aprendizagem, oferecer apoio emocional durante os vestibulares e fortalecer vínculos entre alunos, famílias e professores. Também coordenou, junto com a colega Maria Nilse Pavan, a Faculdade da Experiência, que abriu espaço para oficinas, palestras, atividades culturais e formaturas com o público da terceira idade. “Foi um período muito rico, porque além de ensinar, aprendíamos muito com elas”, recorda.

A grande virada ocorreu em 2008, quando buscou especialização em Psicopedagogia e, posteriormente, em Autismo. No consultório, atuou até 2016 com crianças e adolescentes, utilizando jogos, atividades lúdicas e avaliações detalhadas para compreender cada estudante em sua totalidade. “O brincar também é aprender, e o socializar é fundamental”, diz a professora. Para Cleunice, essa área ampliou seu olhar sobre a educação. “Percebi que muitas dificuldades não eram de conteúdo, mas estavam ligadas a questões emocionais, familiares ou sociais. A psicopedagogia me permitiu enxergar o ser humano de forma integral.”

Hoje, ao revisitar sua carreira de 44 anos, ela afirma que a chave do magistério está na empatia, na escuta e no respeito ao ritmo individual. “Cada aluno é único, com sua forma de aprender e de se expressar. O papel do professor é ajudar a revelar essas potencialidades”, afirma.

Inspirada nos quatro pilares da educação da UNESCO — aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser —, Cleunice acredita que o futuro da escola depende de integrar conhecimento e humanidade. Mesmo aposentada desde 2016, acompanha com atenção as mudanças trazidas pela tecnologia, defendendo que sejam usadas com equilíbrio.

“Educar é um processo para a vida toda. O mais gratificante foi poder acompanhar trajetórias, ver alunos crescendo e encontrando seus caminhos. É isso que dá sentido a uma vida dedicada à educação.”

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