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Rural

Por que o Brasil é um dos principais consumidores de agrotóxicos?

Grande extensão de área cultivada, país tropical que favorece a infestação de pragas nas lavouras, cultiva-se de duas a três safras por ano e também são várias culturas o que torna ambiente favorável ao ataque de insetos-pragas, plantas daninhas e doenças

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Dados da Embrapa representam aumento de 17,5% ao ano no consumo de agrotóxico
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos conforme a Embrapa. O Brasil é um dos principais consumidores e este consumo representou um aumento de 700% nos últimos quarenta anos, enquanto que a área agrícola produtiva aumentou 78% no mesmo período.

Os dados foram apresentados durante audiência pública em maio sobre o uso abusivo de agrotóxicos no Rio Grande do Sul, realizada em Dom Pedrito pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa. A audiência foi coordenada pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT), proponente e titular da Comissão.

O parlamentar destacou do uso de agrotóxicos nas lavouras gaúchas, e criticou o modelo agrícola que coloca o Brasil na posição de campeão no uso de produtos químicos. “O dado da Embrapa representa um aumento de 17,5% ao ano no consumo de agrotóxico, enquanto a produção cresceu somente 1,9%. O comparativo é desproporcional e representa os graves riscos à produção de alimentos saudáveis”, observou Edegar.

 

Impactos nas plantas e solo

Os agrotóxicos são usados para controle de plantas daninhas, insetos ou doenças. Alguns agrotóxicos têm persistência maior no solo, podendo durar 360 dias ou mais, mas não necessariamente está causando danos ao solo. Isso é bem variável, permanecendo ativo causando danos ou não. Vai depender de qual agrotóxico está se considerando ou trabalhando, vai poluir a planta ou não.

Minimizando o uso de agroquímicos

Por enquanto, conforme o professor da UFFS, Leandro Galon, é preciso usar os agrotóxicos, porque não tem um jeito de se fazer agricultura sem usar os herbicidas, inseticidas e fungicidas. O que é possível é minimizar esse uso através de cobertura de inverno para evitar a emergência de plantas daninhas nos cultivos de verão, soja, milho e feijão, dentre outros. A palhada das coberturas de inverno não deixa passar luz no solo e assim muitas plantas daninhas dependentes de luz para germinarem não germinam. A palhada de aveia preta e ervilhaca também ocasiona barreiras físicas ou liberam substâncias alelopáticas, que evitam a infestação de plantas daninhas nos cultivos de verão. E ainda aliado a cobertura do solo a adoção da rotação de culturas, com milho, soja, sorgo e feijão pode-se minimizar e muito o uso de agrotóxicos.

 

Evitando aquisições adulteradas

O professor Galon salienta que já foram realizadas várias operações na região com apreensão de produtos adulterados, falsificados ou mesmo contrabandeados. É comum o mercado clandestino de agrotóxicos, mas também perigoso, para a lavoura e para a saúde.

“Um produto que custa R$ 20,00 se é oferecido a R$ 10,00 alguma coisa estranha tem. Ou é trazido de fora ou é adulterado. Por isso a importância de comprar com receita agronômica em cooperativas, agropecuárias de confiança e conferir os rótulos”, diz.

O produto adulterado, para a lavoura não terá o efeito esperado e para a saúde, por exemplo, se aplicado em tomate, onde normalmente metaboliza por 10 dias, pode perdurar por 30 dias e, se colhido entre 15 e 20 dias e colocado à venda, pode ser ingerido ainda com o produto, sendo prejudicial à saúde.

 

Brasil, um dos principais consumidores

Galon salienta que o Brasil é um dos principais consumidores de agrotóxicos por algumas peculiaridades. “Porque somos um país continental, uma extensão muito grande onde se cultiva muitas culturas. Estamos nos trópicos, não temos seis meses de neve como em muitos países e essa neve e frio fazem com que muitas pragas sejam extintas pelo próprio clima. E assim precisamos aplicar fungicida, inseticida e herbicida para controlar as pragas num país tropical onde tem temperatura alta, chove. Também cultivamos duas a três safras durante o ano, o que outros países não fazem, sem contar a quantidade de culturas de cultivamos”, explica o professor. 

 

Como reverter este cenário?

O professor destaca que há como reverter este cenário do Brasil de ser um dos principais, senão o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Para tanto seria necessário primeiramente melhorar a extensão rural. “Técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, para que saibam quais produtos usar, qual a dose usar, os menos tóxicos, os mais seletivos, e depois formar técnicos (agrônomos, engenheiros florestais...), que saibam fazer rotação de culturas, assim a gente diminui o uso de agrotóxicos. Tem que ter uma política agrícola na questão de extensão ou assistência técnica aliada com a pesquisa. Não é simplesmente parar de aplicar agrotóxicos, se não vamos morrer de fome. É uma política voltada a diminuir o uso”, diz.

Acrescentando que “isso é possível, pois já fiz várias pesquisas, onde consegui reduzir o uso em até 50% de agrotóxicos, com tecnologias de aplicação recomendada, aplicação nas horas recomendadas, no estágio indicado para a planta daninha e cultura. Mas isso só é possível com o uso de tecnologia e muito trabalho”, conclui.

 

 

 

 

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