O cultivo de soja no Alto Uruguai vai aumentar em 4,7% nesta safra comparando com o ano passado. A expectativa da Emater é de que sejam destinados 232.293 hectares, com produtividade de 3.231 kg por hectare, enquanto que na safra 2015/16 foram cultivados 221.700 ha.
De acordo com o agrônomo da Emater, Nilton Cipriano de Souza, à primeira vista se esperava por uma redução, tendo em vista o aumento de área de 19% no cultivo do milho, não somente por causa do bom preço que a cultura está, mas porque ela entra no esquema de rotação de culturas, mas isto não deve ocorrer na região.
Entretanto, diante da expectativa da atuação do fenômeno La Niña neste ano, os produtores devem ter medidas cautelares para enfrentar a safra sem prejuízos. “Estamos vivendo grandes alternâncias de temperaturas, frio pela manhã e calor a tarde, não havendo temperatura ideal para a semeadura. Também não há umidade adequada do solo”, diz.
Acrescentando que “nesse próximo trimestre (outubro a dezembro) o agricultor tem que estar consciente que só vai conseguir plantar com umidade do solo. E com isso ele vai optar pela melhor época para plantio, dar ênfase para coberturas, quanto mais cobertura de palha tiver para reter umidade melhor, e no mais, quem puder lançar mão de irrigação, porque vai haver necessidade se confirmar essa previsão climática”.
A semeadura da soja na região acontece de 15 de outubro a dezembro, mas 90% do plantio se concentra entre 15 de outubro a 15 de novembro.
Em Erechim deverão ser cultivados 9.500 hectares com soja. O produtor Gilberto Marostica, da linha Batistela, interior de Erechim deve manter a área de 11 hectares. Outros 11 ele cultiva milho. Ele conta que não ampliou a área de soja porque faz rotação cultural todos os anos. Só está esperando colher o trigo para implantar a oleaginosa, o que deve ocorrer entre os dias 10 e 20 de novembro. No ano passado, a produtividade obtida foi de 65 sc/ha.
Conforme Cipriano, em anos de La Niña, o agricultor tem que monitorar o surgimento das pragas, principalmente de lagartas, entre elas a lagarta Helicoverpa armígera. “Fazemos todo um monitoramento, temos três pontos de unidade de referência de resultado, com acompanhamento direto das pragas, do manejo total da cultura da soja, em Campinas do Sul, Sertão e Viadutos”, diz.
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Ano safra |
Área cultivada na região |
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Previsão 2016 |
232.293 ha |
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2015 |
221.700 ha |
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2014 |
219.750 ha |
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2013 |
214.050 ha |
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212 |
205.370 ha |
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2011 |
211.155 ha |
*Fonte Emater
Desafios de quem vai plantar: mercado incerto
De acordo com o coordenador do curso de Engenharia Agrícola da Uri Erechim, Sergio Mosele, já era esperado esse aumento na área de soja. Entre os motivos estão o custo de formação da lavoura que do milho, que é mais elevado e também a previsão de La Niña, e neste caso, a soja é mais resistente a seca.
Entre os desafios de quem vai plantar soja nesta safra está na grande instabilidade de mercado. “Não sabemos como ele vai se posicionar para a próxima safra”, diz.
A safra americana deu sinal de que vai ser menor. Num cenário positivo, conforme o professor, tem a redução de produção americana, demanda mundial normal ou acelerada e preço mais alto. Agora, o que também pode interferir no resultado final do produto, por exemplo, a cotação do dólar no mercado interno. “Dependendo de decisões políticas e econômicas, podem ocorrer alterações importantes na variação do dólar. É um cenário de difícil previsão. É um momento de muita incerteza”, pontua.
Por conta deste cenário, Mosele afirma que seria interessante o produtor pensar em estratégias de comercialização, como em mercado futuro, fazer travamento de preço, hedge do valor financiado. “Outras ferramentas que não apenas o mercado de balcão”, acrescenta.
E na tentativa de redução de risco em função do La Niña, o professor recomenda o plantio escalonado da safra de soja. Mas o interessante seria ter uma estratégia de longo prazo. “Pensar os próximos 10 anos, com o reaquecimento das culturas de inverno. Sistema lavoura pecuária, colocar esses sistemas como estratégias permanentes dentro da propriedade”, conclui.
Financiamento da safra
Conforme o gerente geral da agência do Banco do Brasil, Herivelton Carneiro, neste ano em torno de 90% dos produtores rurais de médio e grande porte tiveram o financiamento do pré-custeio da lavoura de soja liberados ainda no primeiro semestre. Neste segundo semestre se concentram as liberações dos financiamentos para os agricultores familiares (Pronaf). Desta forma, os produtores rurais que são atendidos pelo Banco do Brasil tiveram a oportunidade de negociar melhores condições para aquisição dos insumos da safra 2016/2017.
Conforme o zoneamento agrícola da região, o plantio de soja pode ser realizado até o mês de dezembro, isso possibilita àqueles produtores que ainda não solicitaram financiamento que possam fazê-lo, haja vista a existência de recursos abundantes no BB para o financiamento agrícola.
Mesmo para os produtores rurais que possuem condições de custear a lavoura de soja sem apoio de uma instituição financeira, conforme Carneiro, é recomendado que busquem o financiamento, tendo em vista que as taxas de juros são subsidiadas e, portanto, bem menores do que as taxas normalmente praticadas no mercado. “Outra vantagem é a possibilidade de contratar o Seguro Agrícola vinculado ao financiamento que permite contar com subsidio do governo federal de até 45% do valor do prêmio do seguro, deixando o produtor protegido contra eventuais intempéries climáticas”, diz.
Linhas utilizadas para o custeio da lavoura de soja:
> Custeio Agropecuário:
Público Alvo: Grandes Produtores
Limite Financiável: R$ 3 milhões, por beneficiário/ano agrícola
Taxa de Juros: 9,5% a.a.
> PRONAMP Custeio
Público Alvo: Médios Produtores
Limite Financiável: R$ 1,5 milhões, por beneficiário/ano agrícola
Taxa de Juros: 8,5% a.a.
> PRONAF Custeio
Público Alvo: Produtor Familiar com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP)
Limite Financiável: R$ 250 mil, por beneficiário/ano agrícola
Taxa de Juros: 5% a.a. (para cultura de soja)
O Banco do Brasil também dispõe de linhas de crédito que auxiliam o produtor rural no momento da comercialização do produto, permitindo que ele realize a venda no momento de preços mais favoráveis.