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Expressão Plural

Não tenho tudo planejado

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Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

“A vida é complexa”, como diria meu amigo Alexandre Hachmann. Quando eu era criança observava os adultos como seres completos: eles sabiam das coisas, tinham as respostas, suas carreiras estabelecidas, seus relacionamentos estáveis... Hoje sou adulto e talvez eu esteja no período de menos certezas que já tive na vida.

Não tenho ideia que trilha devo seguir para conquistar sucesso. É possível que nem sabia o que é sucesso. Posso ter conquistado e não percebido, nunca entender que conquistei ou nunca conquistar. Ser bem sucedido é ser rico? É ser feliz? É amar e ser amado? Ser um com Deus? Mudar uma microparte do mundo? Não tenho ideia.

Recentemente ouvi ‘Time’ do Pink Floyd e cômico pensar como eu achei que entendia as letras no auge de meus 16 anos, hoje tudo soa diferente:

“Fazendo qualquer coisa para preencher o tempo de um dia monótono
Desperdiça as horas de um jeito indiferente
À toa em um terreno da sua cidade natal
Esperando que alguém ou algo lhe mostre o caminho
E então, um dia, você percebe que
Dez anos ficaram para trás
Ninguém lhe disse quando correr
Você perdeu o tiro de largada”

Frequentemente me afundo em melancolia, mas ninguém sábio espera que esteja tudo certo tão jovem. Isso são pensamentos de criança. Queremos moldar o mundo para nossas vontades, é nossa natureza, e também é a natureza do mundo seguir indiferente a nós. Não podemos lutar contra a natureza do mundo, mas não podemos lutar contra nossa natureza de querer altera-lo. É um paradoxo na verdade.

Nos levamos a sério demais. Queremos ordem num universo de caos. Trabalhamos como se o mundo acabasse amanhã e vivemos como se fossemos eternos. As ondas não vão parar no mar por que você cometeu um erro em seu trabalho. O sol não vai deixar de brilhar amanhã por que você não passou a noite estudando. O leão não fica se torturando mentalmente por que falhou em capturar uma presa. O rio não passa a noite pensando que caminho deve seguir. Uma árvore não tem meta de crescimento. Uma formiga não questiona seu propósito na Terra. Sempre parece que precisamos de algo para a vida valer a pena, algum sentido, algum objetivo como se estar vivo não fosse motivo suficiente para viver. Criamos nossas regras e sofremos de ansiedade com elas. Ganância, ódio e ignorância são as fontes de todos os sofrimentos humanos, mas parece quase inumano nos distanciar delas.

Não buscamos aqueles que nos desafiam intelectualmente, buscamos os que nos vendem uma ideia de vida perfeita, e vendo o recorte perfeito da vida dos outros os defeitos da nossa ficam mais evidentes e parece que precisamos resolver tudo para ontem. Mas na vida real tudo é a longo prazo, nós que somos ansiosos.

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