O que acontece quando o cuidado em saúde ultrapassa as barreiras do idioma e da cultura? No Centro de Estágios e Práticas Profissionais (URICEPP), especificamente na Clínica Escola de Fisioterapia, da URI Erechim, um atendimento recente tornou-se o exemplo prático de que a formação profissional vai muito além da aplicação de protocolos e exercícios.
A paciente Vida, natural de Gana, na África Ocidental, reside em Erechim há cerca de um ano e cinco meses. Ela buscou a clínica com queixas de dores intensas no membro inferior, decorrente de dois acidentes sofridos em seu país de origem. Somado ao quadro clínico, havia a natural insegurança de quem busca auxílio em um país estrangeiro falando exclusivamente inglês.
O atendimento foi supervisionado pela professora Janesca Mansur Guedes e conduzido pelas acadêmicas Magdarlie Djouana Duvert (Haitiana) e Eduarda Bassani. A acadêmica Magdarlie, que entende o inglês, auxiliou na comunicação durante as sessões. “Tivemos que buscar formas de nos comunicar usando sinais, demonstrações visuais e o inglês para que ela entendesse cada movimento”, relatam as estudantes. Para elas, a experiência exigiu dedicação extra e o estudo de palavras-chave no idioma da paciente para garantir a qualidade das sessões de fisioterapia.
Ao final das 10 sessões, a paciente relatou um alívio significativo de suas dores e, acima de tudo, sentiu-se profundamente acolhida. Em seu depoimento, ela atribuiu a melhora não apenas à competência técnica das futuras fisioterapeutas, como também ao respeito e à atenção humanizada que recebeu durante todo o processo.
Esse caso clínico reflete a essência do Projeto Pedagógico do Curso de Fisioterapia da URI. Segundo a coordenadora do curso, professora Janesca Mansur Guedes, a formação incorpora resoluções fundamentais que moldam o caráter humanista da profissão, como as diretrizes para a Educação Étnico-Racial e os Direitos Humanos.
Um dos objetivos do curso é formar profissionais cidadãos conscientes que prezam pela dignidade humana e pela valorização da diversidade em uma sociedade pluriétnica, assim validando a missão institucional da URI, uma instituição comunitária e filantrópica. O caso de Vida também reflete a presença crescente de imigrantes em Erechim e a necessidade de serviços preparados para diferentes contextos culturais e linguísticos.