21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental – Extensão: Itália e Suíça - Parte 1

teste
Marlei
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A vida na Europa Ocidental: foi num começo de outono na Europa. Num pequeno grupo de dez pessoas, organizamos um roteiro a lugares da Itália e da Suíça com uma guia individual. Alguns lugares já conhecidos, outros mais bem explorados. Os europeus, como nós, seus descendentes, nos orgulhamos das raízes históricas que fundamentam o complexo e fascinante continente. Os lugares a visitar foram muito bem escolhidos e estudados para que fosse um tempo muito bem aproveitado. Foram dias de temperatura muito agradável, sem correrias e atropelos. A gastronomia fez um grande diferencial, pois provamos o típico e o gostoso de cada parada realizada. O inusitado aconteceu muitas vezes, resultando num bom aproveitamento e deleite.

Europa hoje: mesmo se orgulhando das raízes históricas, os europeus também são favoráveis às inovações. A Europa de hoje está envolvida em um processo crescente de homogeneização: a União Europeia vem gradualmente centralizando governos, impostos, leis de comércio e até mesmo a defesa dos países. Até hoje, os europeus continuam protegendo suas identidades nacionais e regionais. A população da Europa Ocidental encara a vida com seriedade, sem, contudo, perder a forte consciência da importância do lazer.

A viagem: iniciou no Aeroporto de Guarulhos com destino a Milão. Chegando lá, conhecemos a nossa guia Luiza, que nos acompanharia durante toda a viagem. Ela falava a nossa língua perfeitamente, pois a estudara no Rio de Janeiro e sabia até dançar samba. Com ela, foram momentos muito agradáveis e deliciosos. Luiza, sempre atenta e muito gentil, cuidava para que tudo desse certo e nos agradasse. Chegamos muito cedo a Milão. O dia nos aguardava para uma visita ao Duomo – Catedral, à Galleria Vittorio Emanuelle e ao Teatro Scala – parte externa. Tempos depois, dois anos mais tarde, em outra viagem, tive o prazer de assistir a um belo concerto no Scala. Foi a realização de um sonho muito esperado: estar nos mezaninos dourados assistindo a um belo e internacional espetáculo. Naquela ocasião, senti-me como participante de um mundo onde tudo é possível quando planejamos e buscamos o que aspiramos.

Revendo Milão – Região da Lombardia na Itália: já conhecia Milão de outras viagens e foi um grande prazer rever o que esta maravilhosa cidade nos oferece. Il Duomo é a obra-prima da arte gótica da Itália. Esta catedral é a maior do mundo, apenas superada pela Basílica de São Pedro, em Roma. A família Visconti iniciou sua construção em 1386, mas ela somente foi concluída há pouco mais de cem anos. No topo, possui 135 agulhas de mármore e 2.245 estátuas desse mesmo material. Um elevador vai até o terraço, e pode-se andar entre seus pináculos. O lugar fornece vistas maravilhosas da cidade mais agitada da Itália e permite vislumbrar, ao longe, os Alpes suíços. O interior da catedral é muito simples. Há a exigência de revista por guardas na entrada. A construção permite acomodar cerca de 40.000 pessoas sentadas. Que magnitude! Por dentro, dá para ver pequenos santuários, vitrais belíssimos e obras em madeira. Muito impactante é uma estátua de São Bartolomeu, esfolado vivo, segurando a própria pele. Isto é uma raridade dentro de igrejas.

Via Montenapoleone: quem visita Milão não perde uma passagem pela Via Montenapoleone e suas imediações. Ela é o centro da área de compras que ostenta o maior índice de sofisticação por metro quadrado do planeta. Fazer compras, quase impossível para os brasileiros, ou simplesmente passear pelas suas ruas repletas de lojas sofisticadas é muito prazeroso. Podemos ver passar milanesas elegantes de salto alto e cavalheiros envergando ternos elegantes, como os da Zegna. É um elegante quarteirão de irretocáveis butiques administradas pelos altos nomes da moda italiana. Em construções do século XIX, há muitas casas de chá, lojas de alimentos e de móveis. A arquitetura externa é original, mas, dentro, acontece a modernidade. Os arranjos nas vitrines oscilam entre grandes extravagâncias e decorações quase despojadas. A Via Montenapoleone segue o ritmo alucinante das últimas modas e tendências.

Galleria Vittorio Emanuele II: Vittorio Emanuele II foi o primeiro rei do Reino da Itália. A Galleria é um centro comercial antigo, com lojas muito elegantes, situado entre a Catedral e o Teatro Alla Scala. É um prédio em área dupla de quatro andares. Possui restaurantes muito agradáveis, sendo um deles datado de 1850. Acima, há um belo terraço com restaurante. A abóbada da galeria é em ferro e vidro. A área central do térreo está pavimentada com belos ladrilhos e, ao centro, existe um mosaico com o escudo dos Savoia. Nele está a figura de um touro que, a tradição diz, pisando com o pé direito e de olhos fechados, traz muita sorte e logo voltamos a Milão. Depois de passear pela galeria, sentamos em um restaurante bem defronte para observar o movimento da praça. Um delicioso café com “biscotti” finalizou a nossa tarde.

Moda milanesa: ela é a vitrine luxuosa da Itália. Ao lado de Paris, Londres e Nova York, Milão destaca-se em estilistas, joalheiros e designers italianos. A cidade sabe combinar, como nenhuma outra, tradição e modernidade. Para viver no ritmo milanês, é interessante andar pelo bairro Quadrilatero d’Oro, situado entre a Via Montenapoleone e a Via Della Spiga. Nele estão as mais luxuosas butiques, os ateliês de costura e as joalherias italianas conhecidas no mundo todo. Elegância e refinamento são duas palavras que qualificam a moda italiana. A Itália é o país dos tecidos. A qualidade e a diversidade, principalmente dos tecidos de lã, fizeram do país o principal fornecedor de costura do mundo inteiro.

Conclusão: em Milão, muitas lojas já expunham motivos natalinos. Lindos, diferenciados e do jeito como os italianos gostam de festejar a data. Finalizando o dia, um belo jantar no nosso hotel: Risotto alla Milanese acompanhado de um delicioso ossobuco. O arroz com a cor do açafrão foi a delícia perfeita para terminar a nossa estada em Milão, pois, no dia seguinte, estaríamos partindo para o Lago de Como.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;