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Expressão Plural

A história das Copas: 2022 e o destino argentino

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

A escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 foi uma das mais peculiares da história. Pela primeira vez, o torneio desembarcou no Oriente Médio, e no menor país já escolhido para sediá-lo. O país concentrou tudo em oito estádios localizados em Doha e arredores, eliminando grandes deslocamentos entre as partidas.

Outra adaptação foi necessária para viabilizar o evento no Catar: a mudança de calendário. Devido ao calor extremo do verão no Oriente Médio, a Copa foi transferida de junho e julho para novembro e dezembro, em decisão inédita. O torneio também foi cercado por controvérsias sobre direitos humanos, especialmente relacionados às condições de trabalho nas obras, além de debates sobre costumes e restrições locais, que impactam a experiência dos torcedores, como a proibição do consumo de álcool em público.

Dentro de campo, duas regras mudaram. As seleções passaram a ter 26 convocados, em vez de 23, e o número de substituições nas partidas aumentou de três para cinco, permitindo maior gestão física dos atletas. Foi também a última Copa com 32 seleções. Além do estreante Catar, participaram França, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Suíça, Sérvia, Polônia, País de Gales, Brasil, Argentina, Uruguai, Equador, Senegal, Marrocos, Tunísia, Camarões, Gana, Estados Unidos, México, Canadá, Costa Rica, Japão, Coreia do Sul, Irã, Arábia Saudita e Austrália.

Assim como em 2018, a Itália ficou mais uma vez fora da Copa. Por outro lado, o Marrocos fez história ao alcançar a melhor campanha de uma seleção africana na história, chegando à semifinal. Outro ponto marcante foi a campanha do Japão, que parou nas oitavas de final, mas venceu Alemanha e Espanha na fase de grupos, contribuindo para outra eliminação alemã ainda na primeira fase, tal qual em 2018.

O Brasil chegou ao Mundial em um cenário incomum: pela primeira vez desde 1974, um mesmo técnico foi mantido em duas Copas do Mundo consecutivas, no caso, Tite. O trabalho começou com o título da Copa América de 2019, foi paralisado durante a pandemia de covid-19, mas retomado ao longo de 2020 e 2021. O desempenho geral foi bom, especialmente nas Eliminatórias, com a consolidação de nomes como Vinícius Júnior, ao mesmo passo que Neymar seguia como a principal referência.

Na Copa, o Brasil fez 2 a 0 na Sérvia, 1 a 0 na Suíça e, já classificado na fase de grupos, perdeu por 1 a 0 para Camarões. Nas oitavas de final, goleou a Coreia do Sul por 4 a 1. Nas quartas, enfrentou a Croácia. Após sair na frente na prorrogação, com gol de Neymar, a seleção levou o empate em 1 a 1 nos minutos finais e foi eliminada nos pênaltis por 4 a 2. Após a derrota, ficou a sensação de que faltou sorte e esperteza aos atletas para administrar a vantagem. E de que faltou repertório tático para Tite.

Já a Argentina construiu uma campanha de afirmação, com um elenco que claramente jogava com um objetivo: tornar Lionel Messi campeão do mundo. Após perder para a Arábia Saudita na estreia, a equipe reagiu vencendo México e Polônia, avançando na fase de grupos. Nas oitavas, superou a Austrália. Nas quartas, bateu a Holanda nos pênaltis, e venceu a Croácia por 3 a 0 na semifinal.

A final contra a França, em Lusail, foi a mais emocionante da história. Após abrir dois gols de vantagem, com Messi e Ángel Di María, a Argentina viu os franceses empatarem e levarem o jogo para a prorrogação, que terminou em 3 a 3. Nos pênaltis, os argentinos venceram por 4 a 2 e conquistaram o terceiro título, colocando fim em 36 anos de espera e cumprindo de vez o destino vencedor de um dos maiores jogadores da história do futebol.

 

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