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Ensino

Debates sobre mudanças climáticas e maratona de inovação marcam Fórum da Juventude em Erechim

Evento reuniu estudantes de 20 municípios para discutir os impactos das mudanças climáticas e elaborar propostas voltadas à adaptação e mitigação de riscos ambientais

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Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

A URI Erechim sediou, nesta quarta-feira (10), o XXII Fórum de Meio Ambiente da Juventude do Alto Uruguai Gaúcho. Integrando a programação da XXXIII Semana Alto Uruguai do Meio Ambiente (SAUMA), o evento reuniu estudantes e professores de 20 municípios da região para discutir os impactos das mudanças climáticas e desenvolver propostas relacionadas à adaptação e mitigação de riscos ambientais.

O encontro teve como tema “Educação e Justiça Climática frente ao novo regime climático”. A programação incluiu mesas-redondas sobre eventos climáticos extremos, saúde, vulnerabilidade social e proteção do território, além da realização da I Maratona de Inovação Climática. O Fórum também integra ações relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 da Organização das Nações Unidas (ONU), voltado ao combate às mudanças climáticas e seus impactos.

Promovido pela URI Erechim, pelo Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (COMPAM) e pela 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), o evento teve coordenação da professora Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski. Entre os objetivos estão ampliar a participação da juventude na implementação da Política Nacional de Educação Ambiental e incentivar a contribuição dos estudantes na busca por soluções para questões socioambientais, além de promover reflexões sobre os impactos das mudanças climáticas na região e em nível global.

Na abertura, a coordenadora informou que os estudantes desenvolveram atividades relacionadas à temática ambiental ao longo do primeiro semestre e explicou que as discussões realizadas durante o Fórum servirão de base para a elaboração de propostas voltadas às escolas e comunidades. Segundo ela, os projetos construídos durante a maratona serão posteriormente socializados em seminários virtuais.

O diretor-geral da URI Erechim, Paulo Giollo, falou sobre a relação da universidade com ações voltadas à educação ambiental. “A URI é uma instituição comunitária e essas ações se enraizaram na nossa instituição. Atuamos em várias frentes e esse trabalho contribuiu muito para melhorar a questão ambiental no Alto Uruguai”, afirmou.

Giollo também mencionou a participação de pessoas que estiveram nas primeiras edições do evento. “Hoje temos pessoas que passaram por aqui e que, com certeza, contribuíram para melhorar o nosso território. Vocês também serão protagonistas durante a vida de vocês”, disse.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Erechim, biólogo Cristiano Moreira, referiu-se à continuidade do Fórum da Juventude e da Semana Alto Uruguai do Meio Ambiente. “Sempre que a gente tem oportunidade, é necessário prestigiar eventos que tenham essa longevidade”, afirmou.

Durante sua manifestação, apresentou o projeto Bosques Frutíferos, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. “Vão ser implantados 25 bosques frutíferos até o Dia da Árvore. Queremos que as escolas continuem se envolvendo com outras práticas e observem os espaços verdes próximos das suas casas”, explicou.

Moreira também abordou a relação entre ações cotidianas e mudanças culturais. “A maior transformação é aquela que a gente faz aos pouquinhos no dia a dia, que vira cultura e fica internalizada”, declarou.

A coordenadora regional de Educação da 15ª CRE, Juliane Bonez, dirigiu-se aos estudantes presentes no evento. “Estar aqui hoje é, acima de tudo, um ato de responsabilidade”, afirmou.

Ela também falou sobre a necessidade de compartilhar os conhecimentos adquiridos durante o encontro. “Quando vocês voltarem para a escola, precisam ter o espaço de compartilhar. Não adianta virmos aqui e termos essa experiência somente para nós”, disse.

Ao abordar a temática ambiental, Juliane Bonez observou a relação entre meio ambiente e comportamento individual. “Quem seria esse meio ambiente? Somos nós. Primeiro de tudo são as nossas atitudes básicas”, declarou.

Representando o Sebrae, Vitória Benedetti de Toledo, integrante da gestão do projeto de Educação Empreendedora da instituição, comentou a participação da entidade na realização da I Maratona de Inovação Climática. “O Sebrae atua no desenvolvimento das competências empreendedoras dos estudantes para que vocês sejam protagonistas das suas vidas”, afirmou.

A gerente de negócios da Agência Sicredi Empresarial, Tatiane Betania Tacca, comentou a participação da cooperativa no evento. “O Sicredi procura olhar para projetos que transformam as realidades das comunidades”, declarou.

O presidente do Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (COMPAM), Nilton Cipriano Dutra de Souza, tratou da atuação conjunta entre instituições e comunidade. “Um sonho que eu sonho sozinho é apenas um sonho, mas aquele que eu sonho com mais pessoas e mais entidades vai se tornar realidade”, afirmou.

Durante sua fala, também mencionou ações de educação ambiental voltadas às novas gerações. “É muito melhor orientar crianças e jovens do que tentar consertar os problemas depois”, disse.

Debates sobre mudanças climáticas e justiça climática

Após a abertura, os estudantes participaram de três mesas-redondas que abordaram diferentes aspectos das mudanças climáticas e seus impactos sobre a população.

A primeira discussão tratou da prevenção de riscos, da justiça climática e do direito à vida diante dos desastres ambientais. O debate abordou a necessidade de conhecer os riscos presentes nos territórios e de compreender como eventos extremos afetam de forma distinta diferentes grupos sociais.

Na sequência, os participantes acompanharam reflexões sobre os efeitos do calor extremo e da seca na saúde da população e no funcionamento das cidades, relacionando os impactos climáticos às condições de vida das comunidades.

A terceira mesa-redonda abordou situações associadas a inundações, alagamentos, deslizamentos e chuvas intensas. O tema incluiu discussões sobre ocupação do território, áreas vulneráveis e estratégias de proteção da população diante de eventos climáticos extremos.

As atividades buscaram ampliar a compreensão dos estudantes sobre os efeitos das mudanças climáticas em escala local e global, além de subsidiar a construção de propostas desenvolvidas ao longo da programação.

Maratona de Inovação Climática

Durante a tarde, os participantes integraram a I Maratona de Inovação Climática, atividade desenvolvida com apoio do Sebrae. Divididos em dez equipes, os estudantes trabalharam na identificação de desafios ambientais presentes em suas realidades e na elaboração de propostas voltadas à adaptação climática e à redução de riscos.

As equipes receberam os nomes de espécies nativas — Araucária, Cedro, Angico, Canela, Ipê, Jabuticaba, Cerejeira, Louro, Pitanga e Guabiroba — e participam de uma dinâmica voltada à construção de soluções aplicáveis às escolas, comunidades e municípios representados no Fórum.

De acordo com a organização, as propostas elaboradas pelos grupos serão apresentadas posteriormente em seminários virtuais, ampliando a discussão sobre estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas na região do Alto Uruguai.

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