Confesso que sinto um mix de orgulho, alegria e até uma dose de constrangimento ao lançar, na mesma semana, dois livros tão diferentes entre si.
De um lado, “Honrar Pai e Mãe”, um livro infantil que nasceu de uma convicção muito pessoal: a de que este continua sendo um dos mais importantes mandamentos da vida. Em um mundo que valoriza tanto a velocidade, a tecnologia e a inovação, continuo acreditando que poucas coisas são tão revolucionárias quanto ensinar uma criança a respeitar, amar e valorizar aqueles que lhe deram a vida.
Do outro lado, surge “DES.CONTO & Outros Contos”, uma coletânea de histórias, reflexões, casos, tropeços, aprendizados e observações acumuladas ao longo de mais de quarenta anos convivendo com empresários, executivos, vendedores, líderes e seres humanos que, no fundo, são todos a mesma coisa.
Tenho orgulho destes livros.
Mas também carrego uma pequena vergonha.
Vergonha porque, ao folhear suas páginas, não encontrarão a profundidade filosófica de um Dostoiévski, a genialidade literária de um Saramago ou a erudição de um Umberto Eco. Encontrarão apenas um consultor alemão-gaúcho, observador compulsivo da natureza humana, tentando transformar experiências em histórias.
Aliás, talvez “tentando” seja a palavra mais adequada.
E há ainda um detalhe curioso: o título do livro DES.CONTO acabou criando uma situação inusitada.
Durante anos ouvi clientes falando de desconto.
“Será que dá para melhorar esse valor?”
“Tem como fazer um descontinho?”
“Se fechar hoje, ganha desconto?”
Pois bem. Agora finalmente tenho uma resposta definitiva:
— Claro que tenho DES.CONTO!
E entrego um exemplar de DES.CONTO.
A partir de agora, quem pedir desconto corre o risco de receber um DES.CONTO.
Dependendo do caso, talvez até dois.
Brincadeiras à parte, estes dois humildes lançamentos representam momentos muito especiais da minha caminhada.
Um fala sobre a infância e os valores que nos formam.
O outro fala sobre a vida adulta e as experiências que nos transformam.
Ambos nasceram da mesma crença: a de que histórias têm o poder de ensinar, provocar, emocionar e conectar pessoas.
Se conseguirem arrancar um sorriso, despertar uma reflexão ou provocar uma boa conversa entre amigos, familiares ou colegas de trabalho, já terão cumprido sua missão.
E, sinceramente, para um consultor que resolveu se aventurar pelo mundo dos livros, isso já é um enorme motivo de orgulho.
Só peço uma gentileza: se, ao final da leitura, você achar que faltou profundidade literária, lembre-se de que eu passei os últimos quarenta anos lendo balanços, planejamentos estratégicos e indicadores de desempenho.
Milagre mesmo foi conseguir escrever contos.
Afinal, quem vive cercado de EBITDA, fluxo de caixa e governança já merece algum desconto, ou melhor, algum DES.CONTO.