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Expressão Plural

O que faltou dizer sobre as Copas (parte 3)

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Vamos para o terceiro texto com o que faltou dizer sobre as Copas do Mundo. Hoje, escrevo sobre 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990 e 1994.

Presidente não escala: a demissão de João Saldanha do comando técnico da seleção brasileira pouco antes da Copa do Mundo de 1970, no México, tem motivos pouco explicados. Além dos resultados ruins em amistosos, dois eventos contribuíram para a queda: quando invadiu armado a um treino do Flamengo para tirar satisfações com o técnico do clube, que o criticou, e quando declarou que “não escalava o ministério, nem o presidente escalava o time”, em resposta a Emílio Garrastazu Médici, que pedia a convocação do atacante Dario. O atleta acabou convocado por Zagallo para o Mundial.

A bola clássica: também na Copa de 1970, surgiu a bola que se tornaria o modelo clássico do futebol moderno, a Adidas Telstar, com 20 hexágonos brancos e 12 pentágonos pretos. O design foi pensado para melhorar a visibilidade nas transmissões da televisão e se tornou um ícone.

A nova taça: a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, teve a introdução de um novo troféu após a posse definitiva da Taça Jules Rimet pelo Brasil em 1970, a Taça FIFA, que consiste em duas figuras humanas sustentando o planeta.

Numeração alfabética: ao disputar a Copa do Mundo de 1978 em casa, a seleção da Argentina distribuiu seus números com base na ordem alfabética dos sobrenomes dos jogadores. Isso fez o goleiro Ubaldo Fillol vestir a camisa 5 e o meia Norberto Alonso usar a camisa 1. A prática durou até 1986.

O jogo da vergonha: Alemanha e Áustria se enfrentaram na terceira rodada da primeira fase da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, valendo vaga na etapa seguinte. Após o gol alemão aos dez minutos do primeiro tempo, o resultado de 1 a 0 passou a classificar ambas as seleções, que deixaram de atacar e apenas administraram o placar, eliminando a Argélia, que atuou um dia antes. A torcida em Gijón ficou revoltada com a atitude dos jogadores e o episódio levou à mudança de regulamento a partir de 1986, com os jogos da última rodada da fase de grupos passando a ser disputados simultaneamente.

A invasão do sheik: também na Copa de 1982, durante a partida entre Kuwait e França, o sheik Fahad Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, presidente da federação do Kuwait, invadiu o campo para protestar contra um gol francês, alegando que seus jogadores haviam parado no lance ao ouvir um apito vindo da arquibancada. Surpreendentemente, o árbitro anulou o gol, mas os franceses ainda venceriam por 4 a 1.

Cartão vermelho recorde: na Copa do Mundo de 1986, no México, ocorreu a expulsão mais rápida da história do torneio: o uruguaio José Batista recebeu cartão vermelho com apenas 55 segundos de jogo, após falta dura sobre um adversário na partida contra a Escócia, estabelecendo um recorde que permanece até hoje.

Água batizada: durante a partida entre Brasil e Argentina na Copa do Mundo de 1990, na Itália, surgiu uma das histórias mais polêmicas do torneio. O lateral Branco relatou ter bebido água oferecida pelo banco de reservas argentino e passado mal em seguida, levantando a suspeita de que a bebida estaria “batizada” com sonífero. Anos depois, Diego Maradona confirmou o episódio. Já o técnico Carlos Bilardo nunca confirmou nem negou a trapaça.

Cinco gols: na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, o russo Oleg Salenko marcou cinco gols na vitória por 6 a 1 sobre Camarões, estabelecendo o recorde de mais gols anotados em uma única partida de Copa do Mundo. Mesmo assim, a Rússia acabou eliminada ainda na primeira fase.

O voo da muamba: após a conquista da Copa de 1994, a seleção brasileira retornou ao país com mais do que apenas a taça. Sob o pretexto de agilizar a festa do título, a CBF, liderada pelo então presidente Ricardo Teixeira, conseguiu uma liberação especial para passar pela alfândega do aeroporto do Rio de Janeiro sem qualquer fiscalização da Receita Federal. O avião transportava 15 toneladas de excesso de bagagem não declarada com produtos importados dos Estados Unidos, como televisores, computadores, aparelhos de som e cozinha, churrasqueira e até mesmo uma sela de cavalo.

Hoje, o espaço chegou ao fim. Semana que vem, a última parte.

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