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Política

Em menos de 15 anos, frota de veículos aumentou aproximadamente 60% em Erechim

Projeto de mobilidade urbana estabelece pedestres em primeiro lugar, ciclistas na sequência, transporte coletivo como eixo estruturante, e veículos particulares em último nível de prioridade

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Diagnóstico que mostra crescimento acelerado da frota e propõe intervenções para priorizar pessoas,
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O crescimento da frota de veículos em Erechim nas últimas décadas é um dos principais argumentos que embasam o Projeto de Mobilidade Humana Urbana Sustentável, apresentado em audiência pública realizada na noite da última segunda-feira (6). O estudo reúne diagnósticos técnicos, ensaios e simulações de tráfego e propostas para reorganizar a circulação na área central, tendo como foco melhorar a fluidez do trânsito, ampliar a segurança viária e devolver espaços públicos às pessoas.

Segundo o levantamento apresentado pela Prefeitura, Erechim saltou de 61.066 veículos em 2012 para aproximadamente 96,3 mil em 2026, um crescimento de 35.298 veículos em 14 anos, equivalente a 60% de aumento na frota, segundo dados do IBGE.

O avanço ocorreu em ritmo muito superior ao crescimento populacional e explica, segundo os técnicos responsáveis, os congestionamentos e conflitos viários registrados principalmente nas ruas que desembocam na Praça da Bandeira, considerando que o traçado atual tem um desenho arquitetônico no qual 10 avenidas e ruas convergem para este ponto central. 

Quase um veículo por habitante

Outro dado apresentado chama a atenção pela dimensão da motorização do município. Com população estimada em 109.609 habitantes, Erechim possui praticamente um veículo por habitante, um dos maiores índices do Estado para municípios do porte da cidade.

Além dos moradores, o sistema viário recebe diariamente deslocamentos de uma região que ultrapassa 130 mil habitantes, já que Erechim é polo regional de comércio, serviços, saúde e educação.

Diagnóstico técnico identificou pontos críticos

O estudo mostra que o modelo atual concentra dezenas de cruzamentos conflitantes e pontos de estrangulamento no centro da cidade. Para avaliar alternativas, foram realizadas seis simulações computacionais de tráfego, comparando o cenário atual com diferentes configurações de circulação, mudanças semafóricas e implantação de vias binárias. De acordo com os técnicos, após inúmeros ensaios em tempo real e nos horários de fluxo mais intenso, a proposta escolhida apresentou melhor desempenho na redução dos conflitos entre veículos e maior fluidez da circulação, numa interação entre pedestres, veículos, ciclistas, veículos de carga e transporte coletivo.

Binários são a principal mudança

O principal eixo do projeto é a implantação de um sistema de vias binárias no quadrante central. A reorganização prevê sentidos únicos em determinadas ruas, manutenção de vias de mão dupla e redistribuição dos fluxos de deslocamento nos sentidos leste-oeste e oeste-leste da cidade. Desta forma, reduz concentração de veículos em pontos críticos, elimina pontos de conflito e tornar o trânsito mais contínuo e seguro, com a configuração de corredores de mão única no sentido norte sul.

O projeto também prevê ações de curto, médio e longo prazo e as obras, após conclusão do período de escuta, devem iniciar nas férias de verão.

Pessoas passam a ser prioridade

O projeto adota um conceito diferente do modelo tradicional de planejamento viário. Enquanto atualmente o automóvel ocupa posição central, a proposta estabelece uma nova hierarquia: pedestres em primeiro lugar; ciclistas na sequência; transporte coletivo como eixo estruturante; e veículos particulares em último nível de prioridade. Essa lógica segue os princípios da mobilidade urbana sustentável previstos na legislação nacional e no Plano Municipal de Mobilidade aprovado em 2023.

Espaços públicos maiores e mais seguros

Além das mudanças viárias, o projeto prevê intervenções urbanísticas para ampliar os espaços destinados às pessoas. Entre as propostas estão: ampliação das áreas verdes; criação de espaços de convivência; implantação de ciclovias protegidas; ilhas de refúgio para pedestres; travessias mais curtas e seguras; corredores culturais; arborização com espécies que reforçam a identidade paisagística da cidade. Segundo o estudo, parte das atuais ilhas de trânsito poderá ser transformada em áreas de permanência e convivência, reduzindo o espaço hoje ocupado exclusivamente pelo automóvel.

Planejamento iniciado há mais de uma década

O trabalho apresentado na audiência pública é resultado de um processo iniciado em 2012, quando foi elaborado o primeiro estudo da circulação da área central. Em 2023, Erechim aprovou o Plano de Mobilidade Humana Sustentável por lei municipal e instituiu o Conselho Municipal de Mobilidade. Nos anos seguintes foram contratadas consultorias especializadas, formado grupo técnico multidisciplinar e desenvolvidos os estudos que deram origem à proposta agora submetida à consulta pública.

Consulta pública segue até o fim do mês

Após a audiência pública, o município abriu um período de escuta entre 10 e 31 de julho, quando entidades e cidadãos poderão apresentar sugestões e contribuições antes da consolidação da versão final do projeto, além do qual poderão participar da enquete que definirá a nomenclatura do projeto.

 

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