Em Benjamin Constant do Sul, a agricultura faz parte da vida de muitas famílias e movimenta a economia do município. No especial Colono e Motorista, moradores compartilham histórias de dedicação e da relação construída com as profissões ao longo dos anos.
A vida na estrada
Desde as viagens iniciadas ainda na década de 1980, o caminhão sempre fez parte da vida de Gerson Luis Paim. A relação com a estrada começou cedo, influenciada por um vizinho caminhoneiro.
Hoje, Gerson atua no transporte de cargas rápidas, serviço que exige agilidade e responsabilidade. Desde 2017, trabalha levando mercadorias para empresas e instituições, muitas vezes passando mais de uma semana longe de casa. Em uma das viagens recentes, saiu de São Paulo com materiais esterilizados destinados a um mutirão de cirurgias em Luzerna e Joaçaba.
Para ele, o transporte rodoviário exige atualização constante. Segundo Gerson, a profissão mudou e, hoje, depende também de tecnologia e profissionalização. “Se você não se atualiza, fica para trás”, afirma.
Com anos de experiência na estrada, ele diz que o principal desafio continua sendo a conscientização no trânsito. “Velocidade e ultrapassagem mal feita são as maiores causas de acidente”, avalia. Gerson defende que respeitar os limites da via e compreender o tamanho e o tempo de frenagem de um caminhão fazem diferença para a segurança de todos.
Ao final, o motorista também fala da presença crescente de mulheres na profissão. Segundo ele, a participação feminina mudou o ambiente nas estradas e trouxe mais respeito entre os profissionais. “Aquele recanto que era do caminhoneiro hoje também é das mulheres”, afirma. Para Gerson, muitas acabam assumindo o volante em momentos de necessidade da família e têm conquistado espaço no setor. “Está deixando a estrada mais humana”, resume.
Agricultura passada de geração em geração
Os produtores de leite Bruno e Rosa Scpinhiki construíram a vida no campo e seguem dedicados às atividades no interior.
Aos 61 anos, Bruno conta que nasceu e cresceu no meio rural. Filho de agricultores e com dez irmãos, ele relembra a trajetória da família. “Meu pai e minha mãe já viviam aqui quando eu nasci. Eu também nasci e me criei na agricultura”, afirma. Depois do casamento, continuou no mesmo ramo, trabalhando com grãos e gado leiteiro.
Rosa também é de família de produtores rurais de Faxinalzinho e diz que, apesar das dificuldades, a atividade continua sendo motivo de satisfação. “A gente passou por muitas dificuldades e ainda tem, mas é gratificante”, relata.
Para o casal, produzir alimento e ver o resultado do trabalho chegando à mesa das pessoas traz sentimento de dever cumprido. “É bem gratificante. A gente pensa que está fazendo a nossa parte”, comentou Bruno.
Os dois filhos do casal continuam na agricultura. Eduardo Scpinhiki é um deles e cresceu acompanhando a rotina da família e lembra das dificuldades enfrentadas no início das atividades. Com o passar dos anos, a família investiu na propriedade e conseguiu melhorar a estrutura de trabalho, com a construção da sala de ordenha e a compra de equipamentos.
Eduardo diz que sempre gostou da vida no campo e afirma que um dos diferenciais da agricultura é a convivência familiar. O jovem produtor também destaca o orgulho em produzir alimentos. “É gratificante saber que a gente está produzindo o alimento de cada dia”, diz.
Atenção e responsabilidade na estrada
Há pouco mais de três anos, Rosenir Antonio da Silva atua como motorista da Prefeitura de Benjamin Constant do Sul. Na função, ele é responsável pelo transporte de pacientes da comunidade e fala sobre a responsabilidade envolvida no trabalho diário.
Para Rosenir, desempenhar a função cria um contato próximo com a comunidade e torna o trabalho ainda mais satisfatório, sendo essencial para a reserva indígena. Atualmente, quatro motoristas atuam na comunidade, cada um responsável por diferentes demandas ligadas à saúde indígena. “É muito importante para toda a nossa população”, comenta.
Na estrada, Rosenir afirma que a atenção precisa ser constante, tanto com os pacientes transportados quanto com os pedestres. O maior orgulho, segundo ele, está em poder contribuir com as pessoas por meio do trabalho.
Cultivo e ensinamentos passados entre gerações
Na propriedade da família, Ademar Brandino mantém a tradição da agricultura passada de geração em geração. Ao lado do filho de 14 anos, cultiva diferentes produtos voltados principalmente para o consumo da família.
Segundo Ademar, a atividade mudou ao longo dos anos e, hoje, a agricultura está mais avançada, com novas formas de produção e diferentes culturas sendo cultivadas na região. Entre as produções estão milho, feijão, mandioca, batata, hortaliças e frutas. Parte do que é produzido é destinada ao consumo próprio e à comercialização.
O agricultor lembra que aprendeu a trabalhar na roça ainda na infância, acompanhando os pais nas atividades do campo. Agora, busca passar o mesmo ensinamento ao filho. “Isso vem do pai e da mãe. O que a gente aprendeu, está passando para o filho”, afirma.