21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

A Última Página

teste
Alcides.jp
Por Por Alcides Mandelli Stumpf - Médico, Presidente da Associação dos Amigos da Biblioteca Pública do Estado do RS e Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Divulgação

Quando alguém morre, não vai.

É mentira essa história de "se foi". Ficou.

Ficou no riso que a gente dá sozinho e depois se assusta. Ficou na mão que a gente estende no escuro e esquece que não tem mais ninguém pra segurar. Ficou na voz baixa às 3 da manhã, quando a casa resolve falar sozinha.

A morte é prática. Resolve o corpo e pronto. Mas, e o resto? O resto ela não dá conta, o manda de volta. Bondade não morre. Entrega não morre. Aquela mania de arrumar a mesa, de perguntar se você almoçou, de brigar por bobagem... isso fica rodando pela casa igual a um gato sem dono.

No começo dói. Dói porque a gente queria mais tempo. Não tenha pressa. Mais uma conversa. Mais um "te amo" dito sem tempo certo. Aí o tempo passa e a dor aprende a sentar no canto da varanda, se fazendo ouvir no canto dos passarinhos que voam, despedindo-se das aventuras. Quieta, vai embora, bate asas. Vai para onde a magia não mais acontece.

A gente reaprende a viver. Torna a caminhar. Agora anda em dois planos ao mesmo tempo: o da rua, com gente e semáforo, e o de dentro, onde essa pessoa continua do lado, bem pertinho, dando conselhos, franzindo a testa, fazendo caretas. Muitas vezes rindo, pois o riso é o elixir da vida, o limiar da solidão.

É por isso que não existe o adeus. Existe, sim, o "até breve".

Porque amor não tem prazo de validade e é infinito enquanto dura. E a saudade só passa recibo quando a gente sabe que amou direito.

A dor é o preço. E é barato perto do que se ganha.

Se amar dói, paciência. Não faça adivinhações: fatalmente serão erradas. Somente feche o livro na última página.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;