Na região são cultivados 400 hectares de cana de açúcar, sendo que a micro região do Vale rio Uruguai é onde o cultivo se destaca, como nos municípios de Marcelino Ramos, Mariano Moro, Aratiba, Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Viadutos, Severiano de Almeida, Erval Grande, Charrua, Floriano Peixoto, Carlos Gomes, Centenário e Campinas do Sul.
A cultura não tolera geadas, por isso se adapta apenas nesta região onde o micro clima é mais favorável com intensidade e frequência das geadas é menor, com temperaturas mais elevadas, tornando o ambiente agradável à cultura.
A produtividade média obtida na região é de 60 toneladas por hectare. Mas conforme o agrônomo da Emater Carlos Angonese, nas propriedades onde há um trabalho da Emater, tem-se obtido acima de 80 toneladas por hectare, como por exemplo em Marcelino Ramos. "Naquele município a cultura tem crescido nos últimos anos, incentivada também por conta de atender a indústria de cachaça que se instalou nem Três Arroios e compra cana da região", diz.
Dos 400 hectares cultivados no Alto Uruguai, em torno de 25% estão em Marcelino Ramos. No município há duas agroindústrias legalizadas de açúcar mascavo, melado e rapadura e mais três em estudo de implantação. No município é tradicional famílias produzirem esse produto para seu consumo e boa parte da cana é utilizada na alimentação animal.
A produção de cana é direcionada para transformação de açúcar mascavo, desde o princípio da colonização dos imigrantes. Nos últimos anos tem se tornado uma oportunidade de renda econômica muito significativa.
De acordo com Angonese, a cana é uma alternativa de viabilizar a sucessão da propriedade, para algumas famílias, a exemplo da família Dal Zotto de Marcelino Ramos.
"É oportunidade de renda para propriedade. Com uma média de 60 toneladas por hectare. A cana que possui 20% de açúcar e melado; 6 mil quilos de açúcar por hectare o que possibilita renda bruta de R$ 30 mil por ha ano". Além disso, ela é uma cultura bastante estável. E não precisa preparar o solo e semear todo ano, planta uma vez e colhe por até cinco anos na mesma área. O gasto é com adubo e o agricultor mantém controlando a erva daninha. Talvez seja uma das maiores oportunidades de rendas que agricultura e indústria forneçam por hectare", diz Angonese.
O cultivo de cana demanda bastante mão de obra e gosto para fazer isso. Mas a partir de insumos da propriedade como: lenha e mão de obra, agregando-se energia elétrica e embalagens, ambos de baixo custo, para industrializar e, só é preciso um investimento na instalação sanitariamente adequada. A Emater assessora todos os processos de construção, desde produção de cana, na escolha das cultivares, passando pelas práticas de cultivo, discussão da planta visando facilitar o trabalho e legalização ambiental e tributária.
Agroindústrias no Alto Uruguai
Na região do Alto Uruguai há 210 agroindústrias cadastradas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar e destas ao redor de 15 são cadastradas com derivados de cana, sendo que nove estão legalizadas e uma está em vias de legalização.
Marcelino Ramos: produtividade acima da média
No município de Marcelino Ramos são cultivados 140 hectares de cana de açúcar para as agroindústrias e mais área para ração animal. A área tem crescido significativamente nos últimos três anos, fomentada pelas agroindústrias de açúcar e para venda de cana para produção de cachaça. O município tem uma das mais altas produtividades da região, em função de um trabalho realizado pela Emater, atingindo 80 a 100 toneladas por hectare.
Conforme o técnico em agropecuária Antônio Pandolfo, em 2011 foi realizado um experimento com novas cultivares, e escolhidas cinco cultivares mais adaptadas à região, com produtividades altas e brix elevados. Aliados a isso, práticas de cultivo adequados trabalhadas nas propriedades estão levando os produtores a obterem maiores rendimentos.
"O município não produz açúcar mascavo suficiente para atender a demanda. Produzimos durante os 12 meses do ano e a tendência é de que vá aumentar a produção".
Hoje, comparando com produção (um hectare) de soja, a produção média da cana, é comparada a produção de 170 sacas da oleaginosa. Ou seja, a renda da cana é o triplo da renda da soja com um custo de implantação inferior porque não depende de um pacote tecnológico (sementes e agroquímicos).
A cana como principal atividade
Na família Dal Zotto, na Linha Estreito, em Marcelino Ramos, o cultivo da cana de açúcar é tradição, mas nem sempre foi a principal atividade. Ela era cultivada em meio a outras culturas, como grãos e citricultura. Mas há oito anos este cenário mudou. Quando a família percebeu que sempre estava utilizando renda da cana para cobrir gastos das outras atividades, resolveu ter a cana como sua principal fonte de renda. Ampliou a área de cultivo para cinco hectares e abriu uma agroindústria de açúcar mascavo, melado e rapadura.
A produtividade obtida pela família é de 80 a 100 toneladas por hectare, obtida através de novas cultivares implantadas e de um sistema de cultivo adequado, proposto pela Emater. A produção gira em torno de 5 mil quilos por ano de açúcar e mil quilos de melado. Toda produção é comercializada no município de Marcelino Ramos, Erechim, Concórdia e Três Arroios. Na atividade, toda família trabalha. O casal, Sandra Maria de 45 anos e Luis Miguel de 58 anos e os filhos Joelmir de 25 e Jardel de 15 anos.
"A ideia é continuar na propriedade, eu gosto do que faço. Me sinto bem aqui. Podemos fazer nosso horário. Se quero trabalhar de segunda a sexta e folgar no fim de semana isso é possível, diferente de outras atividades do meio rural", diz Joelmir.