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Opinião

Sete erros da vida não examinada

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Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Divulgação

A gente passa a vida inteira com pressa. Uma correria danada.

Pressa de vender, de comprar, de responder, de aparecer – ou sumir. E aí você entende que esse cansaço não é sinal de fraqueza.

E no meio dessa azáfama, age como se já soubesse tudo.

Ou pior: como se não precisasse saber de nada.

Qual é o objetivo? O que é bom? O que presta? O que resta?

Pergunta perigosa. A maioria foge. Deixa pra depois.

Só para pra pensar quando a morte bate na porta do vizinho.

Ou quando perde alguém de quem se gosta.

E aí, paradoxalmente, o morto fica mais vivo.

Rondando a gente, com calma. A dor do perdão não é apenas a tristeza.

É falando dele que a gente o traz de volta à mesa. Mesa recém posta, mal servida, ainda quente.

A ausência dá corpo novo à memória. Puro incômodo

Eu ando pensando nisso.

Porque sabedoria não é mercadoria.

Você não chega no verdureiro e pede um quilo e meio e confere a abalança. O peso de um amor continua vivo, mesmo depois da etiquetagem.

Não baixa da internet. Não faz num curso home office de fim de semana. É seu coração tentando se adaptar aos novos tempos.

Livro ajuda. Gente mais velha ajuda.

Mas no fim o esforço é seu. Ninguém mastiga por você o pão que você mesmo - ou o diabo amassou. Ninguém paga a conta por você.

Então você precisa parar, respirar fundo, e continuar.

Sabedoria não se ensina. No máximo, aprende-se.

Só aprende quem tem coragem de olhar para trás, para própria vida e dizer:

"Peraí, onde estão os sete erros capitais e os outros mil que cometi na prática? Será que nada foi certo?"

Sim, examinar dói.

Mas não examinar dói mais ainda.

Sócrates já dizia isso há 2.500 anos. E ninguém quis ouvir direito:

"Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida."

 

Eu acrescentaria: nem contada.

Não se culpe.

 

Porque pra ser lembrada, uma vida não pode ser azeda.

Rancor envelhece mal. Ódio não rende boas histórias.

Vingança é prato que ninguém mais quer comer.

Quem vive assim morre duas vezes. Primeiro o corpo. Depois a lembrança.

 

Os filhos, coitados, ficam com essa herança.

Com a imagem de um pai ou de uma mãe que escolheu a amargura.

E remorso corrói a alma qual ferrugem. Não tem como fazer alguém chorar, sem chorara depois. Não tem como dar um sorriso, sem recebe-lo de volta. Tudo funciona de forma simples nos pagamentos e também nas cobranças de dívidas atrasadas

 

Os maus dias existem. Existirão sempre.

Mas que sejam ofuscados pelos bons.

É isso que a gente conta depois. É isso que fica. Pois quem ama profundamente precisa recuperar as forças para continuar a infinita viagem.

 

De resto...

Triste foi.

Triste será.

 

*Médico

Presidente da Associação dos Amigos da Biblioteca Pública do Estado do RS

Membro da Academia Erechinense de Letras

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