Suinocultores com dívidas de custeio pecuário de recursos tomados em 2015 terão um folego a mais para o pagamento. O Banco do Brasil está renegociando as dívidas que tem vencimento ou vencido de 20 de setembro até 31 de março de 2017. O produtor paga 15% do valor e o restante será parcelado em até três anos.
De acordo com o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, o produtor continua usando o dinheiro sem ter que desembolsar um valor que ele não conseguiu apurar porque a atividade não deu resultado positivo nesse período e ele consegue tocar a atividade.
Este era um pleito do setor que enfrenta uma das maiores crises que a atividade já passou em função do alto custo de aquisição do milho para produção de ração para os suínos. Isso desnorteou todo sistema financeiro dos produtores, porque a necessidade de capital de giro foi mais do que 100% do que vinha sendo em função do alto custo do milho. O preço médio do cereal em 2015 estava em torno de R$ 29,00 a saca e neste ano está em torno de R$ 48,00. E o milho representa 70% da ração.
A suinocultura do Norte gaúcho representa entre 12% a 15% da produção do Estado.
Além do alto custo de produção, Folador diz que os preços do suíno, em média, não conseguiram reagir em função da crise interna, e o consumo no mercado interno está baixo. “Tivemos altos volumes de exportação, quase 40% a mais do que ano passado, mas os preços ficaram abaixo do que no ano passado. Então, a quantidade de recursos captados com essa exportação ficou abaixo do que no ano passado”, explica.
Com relação a um possível aumento de preço na carne do suíno no fim de ano, o presidente da Acsurs diz que isso pode vir a ocorrer, mas será muito tímido e por tempo determinado. “Passado as festas de fim de ano, entrando janeiro volta ao normal, porque a produção cresceu e temos uma oferta maior que o consumo”, acrescenta.
O Rio Grande do Sul produz anualmente 8.700 milhões quilos abatidos. Isso representa 650 mil toneladas de carne produzida. O Estado consome de 20% a 30% dessa produção e em torno de 180 mil toneladas são exportadas para fora do país. O restante vai para outros estados.
“O governo não demonstrou interesse em emitir uma medida que contemplasse a renegociação das dívidas que incluísse toda suinocultura de todos os bancos, alegando que a equalização de juros era muito alta e não teria como bancar. E encaixou numa normativa que já existia no BB. Nos demais bancos, os produtores podem usar o MPR 2679 (Manual de Crédito Agrícola de crédito rural) que prevê a renegociação das dívidas dos produtores em caso de dificuldades mercadológicas e condições climáticas desfavoráveis”, conclui Folador.
Renegociação
O gerente geral do Banco do Brasil de Erechim, Herivelton Carneiro comentou que na agência não existe nenhum caso de renegociação.
Em decorrência de problemas mercadológicos que afetaram o segmento suinocultor em todo o território nacional, foram autorizadas medidas simplificadoras do processo de prorrogação, abrangendo operações de custeio, de investimento e de custeio prorrogado de safras anteriores que possuam parcelas vencidas ou vincendas no período de 20 de setembro de 2016 a 31 de março de 2017.
Entre as medidas simplificadoras estão a dispensa de Laudo Técnico individualizado e a disponibilização de aditivo simplificado.
No Rio Grande do Sul, as operações podem ser repactuadas da seguinte forma: operações de custeio com vencimento em 2016: 3 anos de prazo (primeira parcela vencendo em 2017); operações de custeio com vencimento em 2017: 2 anos de prazo (primeira parcela vencendo em 2018); operações de Investimento e Custeio Prorrogado de safras anteriores: prazo de 01 (um) ano após o vencimento final do contrato.
Para efetivar as prorrogações, o suinocultor deverá procurar sua agência e assinar o pedido de prorrogação, cujo modelo é disponibilizado pelo Banco. No caso do custeio pecuário, é necessário pagar 15% do valor devido a título de amortização do débito.
Segundo o gerente de Mercado Agronegócios do BB no RS, João Paulo Comerlato, as agências já estão orientadas a dar pronto atendimento aos produtores de suínos que desejaram se utilizar destas medidas.