Seguindo as matérias anteriores sobre pessoas ilustres e importantes para Erechim e região do Alto Uruguai, escrevo sobre Joaquim Mauricio Cardoso. Em sua homenagem, foi batizada a principal avenida de Erechim com seu nome.
Joaquim Maurício Cardoso, natural de Soledade-RS, nasceu em 09 de agosto de 1888 no município de Soledade-RS, e faleceu em Santos-SP, dia 22 de maio de 1938 em um acidente aéreo. Filho do desembargador Melchisedek Mathuzalem Cardoso, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul de 1920 a 1921, e de Eugênia Almeida Gralha.
Se formou advogado em 1908 pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre (hoje, integrada à UFRGS). Atuou como jornalista e professor universitário.
O Dr. Maurício Cardoso foi um dos grandes políticos brasileiros. Participou da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas à presidência da República brasileira. Foi Ministro da Justiça e Negócios Interiores durante o governo provisório de Vargas (1930-1934), tendo assumido em dezembro de 1931.
Como Ministro da Justiça aboliu a censura à imprensa e teve protagonismo na aceleração dos trabalhos que deram origem ao Código Eleitoral de 1932, preparado para regular as eleições constituintes de 1933. Este código vigorou até 1935 e representou uma série de mudanças para a vida política brasileira, pois adotou pela primeira vez a representação proporcional, introduziu o voto secreto e o voto obrigatório, além de estender o direito de voto para as mulheres e criar a Justiça Eleitoral. Foi também o único código eleitoral do país com a figura do deputado classista, eleito pelos sindicatos para representar os interesses das classes profissionais.
Eis a figura que aboliu a censura a imprensa nos idos de 1930 e propiciou o voto as mulheres. Passados quase 100 anos, o STF e o atual Governo Federal ensaiam constantemente censurar a imprensa, as redes sociais, e até o cidadão comum. Estamos retrocedendo as conquistas sociais importantes.
Teve papel destacado como líder da Frente Única Gaúcha (FUG), de 1932 a1934. Eleito para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933 a 1934. como Deputado pelo Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Teve mandato estendido para a 36ª Legislatura em 03/09/1934, ante a transformação da Assembleia Nacional Constituinte em Câmara dos Deputados a partir de 20/07/1934. Renunciou ao mandato em 03/09/1934.
Durante o Estado Novo foi secretário do Interior do governo do interventor Manuel de Cerqueira Daltro Filho no Rio Grande do Sul e ocupou interinamente o cargo em 1938, após a morte do titular, em 19 de janeiro de 1938. Governando até a posse de Osvaldo Cordeiro de Farias, em 4 de março de 1938. Logo depois, foi Secretário Estadual da Agricultura.
Como escritor publicou algumas obras literárias, como: Fingindo Pedra (peça teatral) em 1911; As Eleições no Rio Grande do Sul e o Protesto dos Bernardistas em 1922; comentários ao texto da Constituição Política do Rio Grande do Sul em 1935.
Em maio de 1938, com apenas 50 anos, morreu em um trágico acidente aéreo. Está sepultado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre em um túmulo produzido pelo escultor e estatuário Antônio Caringi. O túmulo possui características do frontalismo e influência do estilo monumental moderno alemão (entre o clássico e o arcaico).
Em sua homenagem foi criado o município de Doutor Mauricio Cardoso na região noroeste do Estado. Criado oficialmente em 8 de dezembro de 1987, por meio da Lei Estadual nº 8.455, após emancipação do município de Horizontina. A instalação oficial do novo município ocorreu em 1º de janeiro de 1989. Segundo o histórico oficial do município, a localidade era conhecida inicialmente como Esquina Guajuvira. Posteriormente, por sugestão de Luiz Giacomeli, responsável pela demarcação das terras da região, o lugar passou a se chamar Esquina Maurício Cardoso, em homenagem ao seu amigo, o Deputado Federal Maurício Cardoso, que havia falecido recentemente. Com o crescimento e prosperidade econômica da comunidade, iniciou-se o movimento de emancipação. Quando o município foi oficializado em 1987, o nome escolhido foi Doutor Maurício Cardoso, preservando a homenagem ao político gaúcho. Portanto, o município não recebeu seu nome porque Maurício Cardoso tenha morado ou atuado diretamente na região, mas porque as lideranças locais decidiram homenagear um político gaúcho de destaque, cuja memória já estava ligada à comunidade desde a época em que ela se chamava Esquina Maurício Cardoso.
Fontes: Wikipedia; BRASIL. Congresso. Câmara dos Deputados. Centro de Documentação e Informação. Assembleia Nacional Constituinte: 1933 -1934. [Brasília], s.d. (folhas datilografadas). DICIONÁRIO Histórico-Biográfico Brasileiro pós 1930. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2001. 5 v. PARLAMENTARES gaúchos das cortes de Lisboa aos nossos dias: 1821-1996. Porto Alegre: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, 1996. 232 p.