Atualmente o Brasil, mas especialmente o Rio Grande do Sul tem se deparado com um triste número que aumenta a cada dia, a violência contra a mulher, principalmente o feminicídio, na maioria por motivos torpes e com o uso, cada vez mais, de muita violência, o que está deixando a sociedade em choque constante.
Para aprofundarmos mais sobre o assunto, o Grupo Bom Dia de Comunicação procurou o psicólogo Dr. Paulo Kautz que faz uma profunda análise, focado nas atitudes e na mente humana.
De acordo com ele, durante muitos anos a mulher teve um papel social instituído de subserviência e submissão ao masculino. Estruturas sociais e de Estado colocavam esta condição de inferiorização e desqualificação da mulher. “De aproximadamente sessenta décadas para nossa atualidade, esta construção social começou a ganhar novos ares, com a mulher e movimentos associados ao feminino, conquistando direitos que até então eram reservados ao masculino, tanto na conquista ao trabalho, nos relacionamentos amorosos, em sua sexualidade, na independência financeira, nos direitos legais, entre outros”.
“A desconstrução do machismo, que é um conjunto de crenças, atitudes e normas sociais que instituem o que acreditam ser a superioridade dos homens sobre as mulheres, começa a perder sua sustentabilidade social. Porém, a cultura de uma sociedade que se acostumou a ver a mulher “silenciada”, ainda tem sua identidade sistêmica altamente resistente por estes homens que cresceram, ouviram e acreditam em seus conceitos, como condição da mulher como objeto de “posse” e superioridade masculina”, pontua Kautz.
Nesta linha de raciocínio, refirma o psicólogo que, assim, quando a mulher reage a estes mandamentos culturais internalizados na organização social marcada pelo patriarcado (homem como detentor do poder, do controle da propriedade, da autoridade e comportamento moral social e familiar) desencadeiam em alguns homens uma reação indignada, violenta, agressiva e inaceitável.
“Este poder regulador destes homens reativamente agressivos tem base então, na não admissibilidade do rompimento das rígidas normas históricas sociais contra as mulheres, entendidas como graves transgressão do feminino, denotando o comportamento de punição. Esta violência a mulher, que sempre existiu por parte de uma parcela de homens; em nossos atuais dias estão mais em evidência, frente ao importante papel das mídias, das redes sociais, dos movimentos sociais civis, dos aparelhos de proteção legais governamentais e o estímulo as mulheres violentadas de levantarem voz ao basta a este sofrimento.
Sobreviventes dos graves problemas psicológicos, físicos e sociais que acometem todos os tipos de agressão e violência a mulher”, ressalta.
“Em especial, a violência doméstica, onde como consequência podemos observar quadros de transtornos de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, Transtorno pós-traumático. Também observamos as consequências físicas, de etiologia psicológica, como dores de cabeça, hipertensão, problemas no sono, alcoolismo e drogas. Todas estas condições vinculadas a possíveis sentimentos emocionais de vergonha, culpa, ódio, baixíssima autoestima, inferiorização, perda da dignidade feminina”.
Finalizando, Kautz reforça que estas mulheres violentadas, são frequentemente humilhadas, manipuladas, isoladas socialmente e resultam em extrema dificuldade de autonomia e independência emocional e econômica, o que favorece a manutenção e a difícil quebra do ciclo vicioso violento, pois a família, os filhos vão ser parte desta condição que se compactua com uma “normalidade” ou da construção da identidade familiar ou da naturalização da desigualdade de gênero.
“O sentimento de desamparo e desesperança cria uma invisível conformação. Cabe a nossa sociedade contemporânea a busca urgente da desconstrução deste Status Quo enraizado em nossa cultura. E isto passa necessariamente pela revisão da educação em todos seus “braços”.
Legenda: Dr. Paulo Kautz
Foto: Arquivo Pessoal