A raça Crioula Lageana foi um dos destaques da 49ª Expointer na quinta-feira (3/9). O julgamento morfológico ressaltou o gado original que deu início ao povoamento de bovinos no Rio Grande do Sul.
Os campeões da raça Crioula Lageana participam, nesta sexta-feira (4/9), a partir das 10h, do desfile dos grandes campeões de toda a feira, alusivo aos 400 anos da chegada da pecuária ao Estado, que acontece na pista central da Expointer no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O gado originário é conhecido pelas aspas (chifres) de grande porte, rusticidade e qualidade da carne. Representando a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos de Raça Crioula Lageana (ABCCL), a secretária-geral da instituição, Vera Martins, destacou que já trabalhou no registro genealógico da linhagem e que a raça Crioula Lageana deve ser conservada e utilizada para propagar a espécie. “Posso dizer que quando um Crioulo Lageano entra na pista, não é só um animal, é um território inteiro que entra em campo. É uma equipe de antropólogos, zootecnistas, agrônomos, veterinários e pesquisadores que trabalham com tecnologia da carne.”
Segundo Vera, a mistura de genes garante rusticidade e resistência à raça. Ela também observou que a raça Crioula Lageana produz leite com a proteína betacaseína, conhecido como leite A2A2, que atende aos alérgicos e pessoas com intolerância leve à lactose.
Campeões da Raça Crioula Lageana 2026
A Estância do Sossego, localizada em Iomerê/SC, do produtor rural Miguel Campos de Oliveira, venceu na categoria grande campeã fêmea sênior, com a Pombinha do Sossego. Na categoria bezerra, também venceu com a grande campeã, chamada Reserva.
Já a Fazenda Bom Jesus do Herval, de Ponte Alta/SC, dos produtores rurais Edison Martins e Vera Maria Martins, consagrou-se nas categorias grande campeão touro sênior, aspado (com chifres), e na categoria grande campeão sênior, variedade mocho.
Para Oliveira, da Estância do Sossego, o momento chegou em boa hora. “São os olhos dos jurados que decidem. Ser premiado na Expointer dispensa comentários”, comemorou.
O retorno da Raça Crioula Lageana à Expointer
Para o agrônomo e doutor em Ciência Animal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), José Antônio Ribas Ribeiro, a Expointer destaca o patrimônio genético do gado Lageano. “É preciso lembrar a pesquisa do norte-americano Don Hargrove, que nos cobrou o estudo dos animais rústicos nos anos de 1970 no Brasil.”
O pesquisador destacou ainda que a Raça Crioula Lageana supera outras raças em proteção da cria, fácil adaptação climática a temperaturas elevadas e baixas, e em marmoreio da carne, o que garante sabor. “Aqui, se busca no julgamento morfológico, além de analisar a carcaça, o andamento, a quantidade de gordura; busca-se o julgamento pela fertilidade de animais a campo, a tolerância aos ectoparasitas e a qualidade da carne”, disse Ribeiro, que avaliou os animais inscritos no julgamento morfológico.
Para o médico veterinário e produtor rural, Edison Martins, a origem das raças bovinas passa pela raça Crioula Lageana. “Eu sou a quinta geração de criadores de Crioula Lageana na família. Em 2003, se não fosse criada uma associação, a raça poderia ter sido extinta.”
Martins lembrou que, na assembleia de fundação da ABCCL, se definiu o nome Crioula Lageana porque foi a região de Lages (SC) a única que manteve esse material genético por anos, com os animais dos criadores referência. A ABCCL é a executora do Serviço de Registro Genealógico oficial da raça, por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Portaria Ministerial nº 1048 (31/8/2008).