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Política

O peso do voto regional nas eleições de 2026

O eleitor do interior pode ou não, ajudar a definir o tamanho da voz de sua região em Brasília e Porto Alegre

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Por Rodrigo Finardi

Há uma pergunta que o eleitor do Alto Uruguai deveria fazer nesta eleição. Quantos representantes teremos depois de 4 de outubro para defender as demandas da nossa região? Não se trata de transformar a eleição em uma disputa entre municípios ou de dizer ao eleitor em quem votar. A escolha é individual e soberana. Mas existe uma dimensão coletiva que não pode ser ignorada.

A força política

A força política de uma região também passa pela capacidade de eleger representantes que conheçam sua realidade e mantenham diálogo com os municípios.

Seis cargos em disputa

Em 4 de outubro, o eleitor escolherá seis cargos: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. O primeiro turno está marcado para essa data, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. E aqui começa uma particularidade que muita gente não percebe.

Município não elege deputado

Deputado federal e deputado estadual não são eleitos por município. A eleição acontece em todo o Estado. Portanto, não existe uma cadeira destinada ao Alto Uruguai, a Erechim ou a qualquer outro município.

O RS terá 31 deputados federais, dentro das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 55 deputados estaduais. A distribuição das vagas entre os estados considera a população. Isso significa que a representação regional precisa ser construída pelo voto de vários municípios. É aí que entra o chamado voto regional.

Poder de articulação

Uma região com dezenas de municípios pode ter uma população expressiva, uma economia relevante e uma extensa lista de demandas. Mas, se não houver representantes eleitos com vínculo e diálogo com essa realidade, a capacidade de levar essas pautas ao debate estadual e nacional dependerá exclusivamente da articulação das instituições locais com parlamentares de outras regiões. Não é uma crítica. É uma característica do sistema eleitoral.

O voto proporcional tem suas regras

Outro detalhe importante é que deputado federal e deputado estadual são escolhidos pelo sistema proporcional.

A votação não funciona simplesmente como uma corrida individual em que os candidatos mais votados, independentemente de partido, ocupam todas as vagas. Os votos também são considerados na distribuição das cadeiras entre partidos e federações, conforme as regras da Justiça Eleitoral.

 

Compreensão do voto

Por isso, o resultado de uma eleição proporcional envolve tanto o desempenho individual das candidaturas quanto a votação das respectivas organizações partidárias. Para o eleitor, conhecer essa regra é importante porque ajuda a compreender o que acontece com o voto depois que ele é depositado na urna.

E o Alto Uruguai?

Aqui está o ponto que interessa diretamente à nossa região. O Alto Uruguai tem demandas que não terminam na divisa de um município. A BR-153 (Transbrasiliana) é um exemplo evidente. Saúde regional, infraestrutura, energia, agricultura, indústria, educação, turismo, logística, segurança e desenvolvimento econômico também são assuntos que ultrapassam os limites territoriais das prefeituras.

 

Parlamentares fazem parte da engrenagem

Quando uma região apresenta uma demanda conjunta, ela precisa de interlocução em diferentes níveis de governo. Prefeitos e vereadores têm suas atribuições. Entidades empresariais e comunitárias também exercem papel importante. Universidades, hospitais, associações de municípios e organizações da sociedade civil participam desse processo. E os parlamentares são parte dessa engrenagem.

 

Uma outra eleição acontecendo

Por isso, a eleição de 2026 não deveria ser observada somente pela ótica da disputa presidencial ou para o Governo do Estado. Existe uma outra eleição acontecendo dentro da mesma urna. Aquela que definirá a composição das bancadas que representarão o RS.  no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.

 

Acompanhamento do mandato

Existe ainda uma questão que considero tão importante quanto o próprio voto. o acompanhamento do mandato. Não basta discutir representação regional apenas durante a campanha eleitoral. Depois da eleição, será preciso acompanhar quem apresentou emendas, quem participou das discussões sobre infraestrutura, quem esteve envolvido nas pautas da saúde, quais projetos foram defendidos, quais recursos foram destinados aos municípios e, principalmente, quais compromissos públicos tiveram continuidade. Isso vale para qualquer representante, independentemente de partido ou região de origem.

A força está na soma

O Alto Uruguai não precisa necessariamente falar com uma única voz sobre todos os assuntos. A pluralidade política faz parte da democracia. Mas uma região precisa conhecer o tamanho de sua população, sua economia, suas necessidades e sua capacidade de articulação.

Representação política

O voto regional, nesse sentido, não significa votar obrigatoriamente em alguém da cidade ou da região. Significa reconhecer que os votos dos municípios, quando somados, também podem produzir representação política. E se os eleitos foram daqui, mais proximidade e mais chance de ter suas demandas atendidas.

 

Diferença crucial

E há uma diferença importante entre ter demandas e ter representantes acompanhando essas demandas. Em Brasília e Porto Alegre, prefeitos podem bater às portas dos gabinetes. Entidades podem apresentar projetos. Comissões podem encaminhar documentos. Lideranças podem participar de reuniões. Mas os parlamentares eleitos pelo Estado estarão permanentemente dentro desses espaços de decisão.

 

A urna também desenha o mapa político

Talvez seja essa a principal reflexão para os próximos dias. O eleitor estará ajudando a desenhar o mapa político que representará o RS pelos próximos quatro anos. E cada região terá seu papel nessa construção.

A pergunta coletiva

Para o Alto Uruguai, a pergunta não precisa ser “em quem devo votar?”. Essa resposta pertence exclusivamente a cada eleitor.

A pergunta coletiva pode ser outra. “Depois de 4 de outubro, qual será o tamanho da representação política do Alto Uruguai e quem estará disposto a ouvir, acompanhar e defender as pautas dos nossos municípios? ”

Voto regional não se refere apenas a eleger alguém daqui.  É sobre não deixar uma região sem voz nos lugares onde as decisões são tomadas.

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