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Ensino

Mediquito reúne dez curtas produzidos por alunos dos 9º anos

Projeto do Colégio Marista Nossa Senhora Medianeira conectou História, Artes e Língua Portuguesa em produções inspiradas em Clarice Lispector

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Mediquito reúne dez curtas produzidos por alunos dos 9º anos
Natália Carla Vanelli
Lenita Ransolin Brugnerotto
Famílias e escolas
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Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

A sexta edição do Mediquito, projeto desenvolvido pelo Colégio Marista Nossa Senhora Medianeira, reuniu estudantes, familiares e comunidade escolar na noite de segunda-feira, dia 21, para a exibição dos curtas-metragens produzidos pelos alunos dos 9º anos do Ensino Fundamental Anos Finais. Ao todo, foram apresentados dez filmes, produzidos a partir de contos de Clarice Lispector e ambientados no contexto da Primeira República Brasileira.

O projeto teve início em 2021, a partir da iniciativa das professoras Natália Carla Vanelli, de História, Bruna Gheno, de Artes, e Lenita Ransolin Brugnerotto, de Língua Portuguesa e hoje conta também com a participação da também professora de português, Denise Canabarro.

A proposta reúne conteúdos de História, Artes e Língua Portuguesa. A temática é definida pelas professoras de acordo com os conteúdos trabalhados pelas três áreas, enquanto os estudantes formam os grupos e escolhem as obras que serão adaptadas.

“São três disciplinas que são integrantes do projeto, então é uma temática que conseguiu juntar as três disciplinas e seus conteúdos para trabalhar um pouco dessa realidade, desse cotidiano, das dificuldades que existiam, das desigualdades sociais brasileiras, que mesmo o Brasil sendo uma república naquele período, ela não era uma república total, não era realmente acessível a todos”, explica Natália.

A professora também cita questões sociais que aparecem nas produções e que permanecem presentes ainda hoje no nosso cotidiano “como preconceito da saúde mental, questões de gênero, questões de etarismo, que se propagam culturalmente e que vem de gerações anteriores, de processos seculares dentro da nossa sociedade e entender um pouquinho de como elas surgiram, se constituíram e também o quanto a gente já avançou derrubando essas barreiras na nossa sociedade”.

Embora as professoras apresentem sugestões de obras, a decisão final fica com os estudantes. “A gente indica alguns para eles, mas eles escolhem tanto os contos, quanto os integrantes do grupo para fazer o projeto”, coloca Natália.

Projeto passou por mudanças ao longo dos anos

A coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio, Gabriela Kubiak, acompanha o Mediquito desde a primeira edição. Segundo ela, os critérios e formatos foram sendo modificados a partir da avaliação de cada edição. “No primeiro ano, por exemplo, não tinha legendas, então o critério foi colocar legendas, depois a gente inseriu os cartazes de apresentação e cada ano a gente vai olhando pontos a melhorar”.

Para Gabriela, a atividade também possibilita discutir o uso de recursos tecnológicos dentro do processo de aprendizagem. “Eu acho que esse ano especialmente os cartazes com o uso da inteligência artificial, eles qualificaram muito e aqui a gente pode ver o uso da ferramenta com um fim pedagógico”, lembra.

O evento teve ainda a participação das famílias, especialmente dos pais e avós dos estudantes. Para a coordenadora, a sessão representa uma oportunidade de aproximar novamente os familiares da rotina escolar nos anos finais. “O que é legal aqui, que a gente observa, quando eles chegam nos anos finais, principalmente no 9º ano, não tem mais eventos que a família é convidada a estar na escola e se você observar, hoje tem muitos avós, muitos pais que vêm prestigiar os filhos”.

Com seis edições realizadas, o Mediquito passou a fazer parte da expectativa dos alunos do 9º ano. “E como é a sexta edição, está se tornando uma tradição nos 9º anos. Então, os estudantes já esperam chegar no 9º para fazer isso, embora o Mediquito, o troféu que eles recebam seja simbólico, eles gostam muito”, coloca Gabriela.

Encerramento de um ciclo

Lenita que participou da criação do Mediquito e esteve à frente do projeto desde o início, neste ano, acompanhou a atividade em uma função diferente, como jurada. “Hoje o sentimento é de muita alegria. É uma honra estar aqui agora como jurada, mas a decisão pesou de me desligar efetivamente”, afirma.

Após seis anos de participação, ela considera que o projeto pode seguir incorporando novas ideias e pessoas. “Eu acho que o projeto tende a crescer, acompanhando toda essa evolução pela qual passa a educação”, conclui Lenita.

O Mediquito também já foi inscrito no Prêmio Educador Marista, em âmbito nacional, recebendo menção de terceiro lugar na edição do ano passado.

Curtas apresentados

Os dez trabalhos exibidos nesta edição foram: “Obsessão”, “A Pecadora”, “Laços Invisíveis”, inspirado no conto “Laços de Família”, “O Último Adeus”, “Feliz Aniversário”, “A Imitação da Rosa”, “A Refeição”, “A Repartição dos Pães”, “Começos de uma Fortuna” e “Gertrudes pede um conselho”.

A avaliação ficou a cargo de Rafa Ross, diretor de cinema; Wallace Soares, secretário municipal de Cultura, Esporte e Economia Criativa; Lenita Ransolin Brugnerotto, professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio; e Poliane Rosa, professora de História dos 7º anos.

Premiação

Melhor roteiro: “A Refeição”

Melhor edição: “A Imitação da Rosa”

Melhor figurino: “A Pecadora”

Melhor fotografia: “Laços Invisíveis”

Melhor trilha sonora: “A Imitação da Rosa”

Melhor adaptação: “Laços Invisíveis”

Melhor representação não humana: personagem Rosa, de “A Imitação da Rosa”

Melhor atriz coadjuvante: Emanueli Três, de “A Repartição dos Pães”

Melhor ator coadjuvante: Carlos Henrique Piovesan Pagliosa, de “Laços Invisíveis”

Participação especial: Lucas Restelatto Stibuski, de “O Último Adeus”

Melhor atriz: Alice Cristina Ferri Bedin, de “Laços Invisíveis”

Melhor ator: Gabriel Kamainski de Mouras, de “A Imitação da Rosa”

Curta mais votado pelo público: “A Imitação da Rosa”

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