É comum se ouvir nas rodas corporativas que o empresário precisa escolher se quer ser “locomotiva” ou simplesmente “vagão”. Ser locomotiva é puxar o negócio, abrir caminhos, tomar decisões, assumir riscos e colocar todo mundo em movimento. Ser vagão é entender que nem sempre precisamos estar na frente. Às vezes, precisamos confiar em quem está conduzindo, acompanhar o movimento e cumprir bem o nosso papel. Até aí, tudo muito bonito. Mas aí a vida real aparece.
E, olhando para os “supremos fatos” desta semana, lá no STF, comecei a desconfiar de que talvez exista uma terceira e uma quarta possibilidade: “Às vezes somos caçamba. Às vezes somos lixo”.
Mas o lixo é outra coisa. É aquilo que já perdeu sua utilidade e precisa ser descartado. Ética, honra, legalidade, confiança. Velhas práticas. Velhos vícios. Velhas relações de poder. Velhas certezas. Velhos comportamentos que insistimos em manter dentro da nossa sociedade, simplesmente porque “sempre foi assim”.
E talvez essa seja uma das grandes dificuldades da vida empresarial: saber que, no fim do dia, a gente precisa carregar muito lixo e superar, sem qualquer noção do futuro.