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Rural

Bovinocultura de corte é oportunidade na região

Apesar da falta de tradição, condições de clima, produção de alimento e topografia favoráveis permitem a prática da atividade em Aratiba, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul

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Propriedasde em Aratiba tem 1.600 cabeças de gado
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

A bovinocultura de corte ocupa posição discreta entre as atividades econômicas desenvolvidas pelos produtores na região do Alto Uruguai. São poucos os municípios da região onde a atividade tem importância econômica considerável. Entre eles, destacam-se Aratiba, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul.

De acordo com o agrônomo da Emater Vilmar Fruscalso, o gado de corte não está entre as atividades tradicionais das famílias rurais do Norte gaúcho, embora o Rio Grande do Sul tenha um clima favorável à criação de raças europeias, como Angus e Hereford. “Além disso, gera menos renda por área do que a bovinocultura de leite”, salienta.

A região do Alto Uruguai tem tradição na produção de grãos, como trigo, cevada, soja e milho. “Agricultores estabelecidos em nossa região identificam-se mais com uma agricultura mecanizada, preferindo o trator ao cavalo. O lapso de tempo entre o desembolso e o retorno (venda dos bezerros) também pode ser outro fator que limita o número de criadores de gado de corte. Ao contrário da avicultura, olericultura, piscicultura, bovinocultura de leite e outras, onde os retornos são rápidos, na bovinocultura de corte, primeiro é necessário criar (ou comprar) e emprenhar a vaca. Depois, esperar nove meses, criar os novilhos até 15 a 30 meses, para só então, se tudo der certo, os investimentos começarem a retornar”, explica.

Além da falta de tradição em lidar com o gado de corte, a atividade exige áreas maiores do que outras atividades mais intensas, como leite e fruticultura para gerar renda suficiente ao sustento das famílias. Por estas razões, a bovinocultura de corte tem se concentrado principalmente entre os grandes produtores, como ocorre na região Sul do Estado, e com longas tradições na lida com o gado.

De acordo com o professor da UFFS, Bernardo Berenchtein, a região tem condições para criação em função do clima e da possibilidade de produção de forrageiras tanto de inverno (temperadas) quanto de verão (tropicais). A topografia entre outros, permitem a possibilidade de criação.  

 

Qualidade do produto

Em termos de raças e qualidade do produto, segundo o agrônomo da Emater, a carne das raças Bos taurus (europeias, como Angus e Hereford) é especialmente saborosa devido à deposição de gordura de marmoreio, o que confere sabor e maciez aos músculos. Depois da raça japonesa Wagyu, estas duas raças produzem as melhores carnes, sendo apreciadas no mundo inteiro. Na região, os poucos produtores que se dedicam a criar bovinos de corte, utilizam principalmente raças cruzas zebuínas (Gir, Nelore) ou mestiças, embora já há alguns poucos criadores de Angus, Herford, Braford e Charolês.

Segundo ele, nos últimos anos, tem crescido o uso de touros de raças de corte entre rebanhos leiteiros. Neste sistema, parte das vacas leiteiras são emprenhadas com estes touros de corte e seus bezerros vendidos imediatamente após o parto, recriados ou terminados na própria propriedade e vendidos quando atingem 15 a 24 meses de idade.

“A condução dos rebanhos é relativamente mais simples do que a bovinocultura de leite, pois os animais podem ser criados totalmente a pasto e os bezerros são mantidos ao pé da mãe até o desmame. As instalações são mais simples e baratas. Além disso, os produtores não ficam com o compromisso de duas ordenhas diárias, fator que tem levado muitas famílias a trocar a atividade leiteira por outras menos penosas. O desmame tradicionalmente é realizado quando o bezerro torna-se um ruminante, tendo condição de utilizar a pastagem como única fonte de nutrientes. Normalmente isso ocorre quanto o bezerro atinge seis a oito meses de vida. Sistemas bem conduzidos produzem animais com aproximadamente 400 kg de peso vivo aos 15 meses de idade.  Para atingir essa meta, o criador deve estar atento, desde antes de o bezerro nascer, acompanhando de perto a prenhez das vacas. A profilaxia sanitária também é fundamental, especialmente as vacinas obrigatórias e o controle de endo e ectoparasitas”.

A nutrição é o maior custo de criação, por isso pastagens abundantes e de alta qualidade são fundamentais, além de suplementação no cocho com sal mineral e alimentos conservados em períodos de escassez de alimento, como por exemplo, no período outonal, ou de baixas precipitações pluviométricas.

Atividade é alternativa para os mais velhos

Fruscalso salienta ainda que apesar da falta de tradição, a bovinocultura de corte tem se apresentado como uma boa alternativa para famílias com baixos recursos financeiros para investir, pouca mão de obra, idade avançada, ou que não querem submeter-se a rotina e penosidade de outras atividades pecuárias, como bovinocultura de leite, suinocultura e avicultura.

“Futuramente, talvez os órgãos governamentais e de extensão rural devessem ater-se com mais afinco em fomentar esta promissora alternativa para as famílias rurais da região Alto Uruguai. Para isso, talvez seja importante informar e capacitar os extensionistas rurais que atuam em cooperativas, empresas públicas ou privadas, tanto em produção e manejo do rebanho, quanto no potencial como alternativa de renda para agropecuaristas que fazem da lida no campo uma forma de reprodução econômica e social de suas famílias”, pontua Fruscalso.

O curso de Agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus de Erechim, através do projeto de extensão intitulado "Assistência técnica universitária à pequenos produtores" sob coordenação do professor doutor Bernardo Berenchtein, promove assistência técnica gratuita à pequenos produtores, nas diversas áreas da produção animal (bovinos de corte, leite, suínos, aves e ovinos). Os interessados podem entrar em contato com o professor através do email: bernardo.berenchtein@uffs.edu.br, para dúvidas e orientações.

 

Aratiba é destaque na região

Conforme o agrônomo da Emater de Aratiba, Valmir Dartora, assim como outros municípios da encosta do rio Uruguai, com terrenos acidentados, os produtores estão investindo em gado de corte. Aratiba possui cerca de 30 mil cabeças envolvendo em torno de 850 famílias.

Samuel Bliacherine cria gado de corte em Aratiba com um sócio, na Fazenda Portal das Águas. São 1.600 cabeças das raças Brahman, Braford e Angus. São comercializados fêmeas e machos reprodutores e os descartes para produtores da região para fazer o engorde.

Segundo ele, são poucos os produtores que trabalham com a parte de genética, pois requer muito investimento para vender um animal puro. Mas o município tem vocação para trabalhar com gado de corte e há mercado para direcionar a produção.

 

Produto consumido em Erechim vem de outras regiões

Com relação ao consumo, no Brasil, a média é em torno de 32 quilos per capita ano.

A maior parte da carne consumida no Alto Uruguai é oriunda da região das Missões e da Campanha gaúcha, as quais se destacam na produção de bovinos de corte no Estado. “No entanto, existem abatedouros e frigoríficos de menor porte em Passo Fundo e naquela região”, diz o professor Bernardo Berenchtein.

Conforme o sócio de um açougue e mercado de Erechim, Pedro Vauchinski, o consumo de carnes se mantem elevado o ano todo, com uma queda de 20% durante o inverno, porque o consumidor opta por outros alimentos nesta época do ano.

Ele comenta que o produto ofertado aos consumidores é oriundo da Fronteira e estão sempre disponibilizando aos consumidores cortes diferenciados, pois é um atrativo a mais para as vendas. “Os consumidores sempre estão buscando por novidades e precisamos estar atentos para atendê-las”, diz. Hoje o corte mais procurado é o entrecot.

 

 

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