Celebrado em 14 de outubro, o Dia Nacional da Pecuária chama a atenção para a importância de uma das atividades tradicionais do agronegócio brasileiro. Muito além da criação de animais, o setor movimenta uma extensa cadeia econômica, que envolve produtores rurais, cooperativas, indústrias, transportadores, profissionais técnicos e estabelecimentos comerciais.
No Rio Grande do Sul e no Alto Uruguai, a atividade tem papel relevante na geração de renda, na permanência das famílias no campo e no abastecimento de alimentos.
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar a presença da pecuária no Estado. Em 2024, o Rio Grande do Sul contabilizava 11.530.056 bovinos, além de aproximadamente 6,18 milhões de suínos, 2,97 milhões de ovinos e 155,16 milhões de galináceos. Os dados integram a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), levantamento que reúne informações sobre os rebanhos e a produção de origem animal.
A diversidade de espécies evidencia a amplitude da atividade gaúcha, que reúne a bovinocultura de corte, a produção de leite, a suinocultura e a avicultura. Cada segmento possui características próprias, mas todos dependem de planejamento, investimentos, manejo adequado, controle sanitário e eficiência produtiva para manter a competitividade.
Alto Uruguai tem vocação para a produção leiteira
Na região do Alto Uruguai, a bovinocultura leiteira representa uma importante fonte de renda para as propriedades rurais, especialmente para as pequenas e médias unidades familiares. A atividade também contribui para manter a economia em movimento, pois envolve a aquisição de insumos, a assistência técnica, o transporte da produção e o processamento industrial.
Dados apresentados pelo programa Consulta Popular do Governo do Rio Grande do Sul apontam que a região possui cerca de 3 mil granjas leiteiras, 70 mil vacas e produção anual de aproximadamente 310 mil toneladas de leite. A mesma referência indica produtividade média de 11 litros por vaca ao dia, número que evidencia oportunidades para melhorar o desempenho dos rebanhos por meio da alimentação, do manejo e do aprimoramento genético.
Os dados regionais divulgados pela plataforma constituem uma referência importante para dimensionar a cadeia leiteira, embora seja necessário considerar o período de levantamento ao compará-los com estatísticas municipais mais recentes.
Erechim também se destaca nesse cenário. Em divulgação sobre a Expo Erechim 2025, a prefeitura ressaltou a posição do município como principal produtor de leite do Alto Uruguai e mencionou iniciativas de incentivo à avicultura, à suinocultura e à bovinocultura, em articulação com empresas, cooperativas e instituições técnicas.
Integração entre campo e indústria
Uma das características da produção animal no Norte gaúcho é a proximidade entre as propriedades rurais e as agroindústrias. O modelo de integração, especialmente presente nas cadeias de aves e suínos, conecta produtores e empresas por meio de compromissos de produção, fornecimento de insumos, acompanhamento técnico e padrões de qualidade.
Essa estrutura amplia as oportunidades de geração de empregos e renda e fortalece a participação do setor agropecuário na economia regional. Ao mesmo tempo, exige dos produtores capacidade de gestão, investimentos em instalações, atenção ao bem-estar animal e cumprimento das exigências ambientais e sanitárias.
Na bovinocultura leiteira, a qualidade do produto e a regularidade da entrega são fatores decisivos. A produtividade depende de uma combinação de alimentação equilibrada, disponibilidade de água, conforto dos animais, sanidade, reprodução e gestão dos custos. A assistência técnica e o acesso à tecnologia podem contribuir para melhorar os resultados sem depender exclusivamente da ampliação do número de animais.
Desafios e oportunidades
Apesar de sua importância econômica, a pecuária enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à variação dos preços pagos ao produtor, às condições climáticas e à necessidade constante de atualização tecnológica. Nas propriedades familiares, o planejamento financeiro e a sucessão rural também são questões importantes para a continuidade das atividades.
A sustentabilidade ganha espaço nas decisões do setor. O manejo correto dos dejetos, a conservação do solo, a recuperação de pastagens, o uso eficiente da água e a melhoria dos índices produtivos ajudam a conciliar a atividade econômica com a preservação dos recursos naturais.
Outro aspecto fundamental é a defesa sanitária. O controle de doenças, a identificação dos animais e a adoção de boas práticas de produção protegem os rebanhos e contribuem para a segurança dos alimentos e a manutenção dos mercados consumidores.
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Município |
Valor da produção de leite em 2024 |
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Erechim |
R$ 54,499 milhões |
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Getúlio Vargas |
R$ 27,188 milhões |
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Aratiba |
R$ 42,9 milhões |
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Barão de Cotegipe |
R$ 46,125 milhões |
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Estação |
R$ 12,438 milhões |
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Gaurama |
R$ 24,150 milhões |
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Erebango |
R$ 15,175 milhões |