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Rural

Buscando a competitividade da erva mate gaúcha

Adotar um manejo adequado, visando melhorar a qualidade da erva mate está entre as práticas destacadas

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Reunião em Erechim aconteceu no Cetre
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Leandro Zanotto

Melhorar a qualidade da erva mate gaúcha, através de manejos adequados para ganhar em competividade com a matéria prima dos estados do Sul. Este é o objetivo das secretarias da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), através de reuniões nos cinco polos ervateiros do Rio Grande do Sul, nesta semana. A intenção, é contribuir com a construção do Programa Estadual de Melhorias dos Ervais Plantados. Nesta terça-feira (29) foi realizada reunião em Erechim, no Cetre( Centro de Treinamento de Agricultores), com a presença do Ibramate (Instituto Brasileiro da Erva Mate), Emater, Aspemate (Associação dos Produtores de Erva Mate do Alto Uruguai) e sindicatos.

O programa está sendo necessário em função da perda de competitividade da matéria prima gaúcha, comparada com catarinense e a paranaense. Os ervais gaúchos, no geral, têm excesso de utilização de agroquímicos, acelerando a colheita (folha não madura) resultando num produto mais amargo, com menor teor de saponinas, polifenois e constituintes de um bom chimarrão. Por isso as indústrias estão importando matéria prima do PR e SC e pagando mais pela mesma.

Conforme o agrônomo da Emater Valdir Pedro Zonin, a partir do momento que o preço da arroba chegou aos R$ 30, há dois anos, o produtor passou a melhorar o manejo e aumentando, de modo geral, o uso de agroquímicos. Hoje no Rio Grande do Sul, 80% dos ervais são plantados com dosagem elevada de adubos e ureia principalmente. “Isso faz com que haja desequilíbrio do solo, desequilíbrio da planta, acelerando o desenvolvimento. O agricultor antecipa a colheita e, ao invés de aguardar um ano e meio a dois anos  pela maturação, colhe em um ano. E esse fato deprecia a qualidade da erva mate, chegando na indústria uma matéria prima menos madura, mais amarga, mais aguada (um chimarrão que lava mais fácil). E além do fato de que contribui com a sobra de matéria prima, porque ao invés de entregar matéria prima com dois anos, passa a sobrar erva mate, logo cair o preço”, explica.

O programa prevê várias ações, uma delas incentivar um manejo mais sustentável da erva mate baseado em sombreamento, adubação verde e principalmente uma nutrição do erval conforme análise do solo e análise foliar. “Por exemplo, fosfatos naturais, não tem resposta imediata, mas atuam durante vários anos. Adubação orgânica, logo após o período da poda pode ser recomendada também”, diz Zonin. Não influencia em perda de produtividade, mas impacta na qualidade do produto final.

Essas ações vão tornar a matéria prima gaúcha mais competitiva. Um dos nichos de mercado é o produto orgânico, como já existe a erva mate certificada em Barão de Cotegipe. “Existem ervais nativos e ervais plantados e essa é uma tendência”, acrescenta.

Atualmente, a erva mate do Rio Grande do Sul tem baixa qualidade, por isso a indústria está buscando em outros estados.

 

O Rio Grande do Sul é o segundo estado maior produtor de erva mate do país, com cerca de 13 mil agricultores envolvidos e pouco mais de 30 mil hectares cultivados. O maior produtor é o Paraná, com 80% da erva mate nativa. O Rio Grande do Sul é o maior industrializador e o maior consumidor. O Programa Estadual de Melhorias dos Ervais Plantados, juntamente com o cadastro ervateiro, vai permitir que o Ibramate tenha atualizado  desde o número de produtores envolvidos, a área cultivada, a produção e o consumo da erva mate. A expectativa é de que estes dados sejam disponibilizados em 2017.

 

 

 

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