A safra 2016/17 de grãos pode variar de 210,9 a 215,1 milhões de toneladas, de acordo com estimativas do 2º levantamento da safra, divulgado na primeira quinzena de novembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O crescimento da produção poderá ser de até 15,6% em relação à safra anterior, que foi de 186,1 milhões.
Também há previsão de ampliação da área total plantada, que deve se situar entre 58,5 e 59,7 milhões de hectares, o que representa um crescimento de até 2,3%, se comparada com a safra 2015/16. Com exceção do algodão e do amendoim primeira safra, todas as demais culturas de primeira safra tiveram incremento de área plantada.
De acordo com o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza, na região do Alto Uruguai, todas as culturas, trigo, milho e soja tiveram aumento de área cultivada nesta safra e além do trigo que já teve produtividade elevada confirmada, a expectativa para a soja e o milho aponta números superiores aos da safra anterior. Tecnologia aliada ao manejo adequado e monitoramento constante do produtor são ferramentas essenciais para a obtenção destes rendimentos.
Colheita do trigo encerra na região
A colheita do trigo está encerrando na região, com praticamente 100% da área colhida, com média de produtividade 3.450 quilos, mas varia de 2.900 quilos/hectare a 4.800 quilos/hectare. A safra é considerada melhor que a do ano passado, com qualidade excelente, pH 78 até 82. A produtividade elevada está atribuída as condições climáticas e a tecnologia empregada na lavoura.
O único fator negativo da safra de trigo é com relação a comercialização. “Ela está estagnada e os produtores estão armazenando o cereal, já que estão ocorrendo importações da Argentina neste momento”, diz. Nesta safra foram cultivados 33.090 hectares de trigo na região.
Milho e soja tem área ampliada
O milho tem área cultivada de 50.726 hectares e produtividade média esperada de 6.900 quilos por hectare. Cerca de 93% desta área já foi semeada na região. O restante deve ser implantado após a conclusão da colheita do trigo. Outros 18.391 hectares são semeados para silagem, totalizando uma área com o cereal de 68 mil hectares na região.
Já a soja deve ocupar 232.293 hectares no Alto Uruguai e quase 80% da área foi semeada. A produtividade média esperada é de 3.231 quilos/hectare. A cultura teve um incremento de área, sendo que no ano passado a oleaginosa ocupou 221.700 hectares.
Conforme o agrônomo Nilton Cipriano de Souza, houve muita área nova nos municípios, por isso aumentaram as áreas cultivadas com soja e também com milho.
Segundo ele, o que se projeta a relação ao fenômeno La Niña (diminuição no volume de chuvas), é que se não ocorrer a redução de chuvas nos períodos críticos não haverá problemas com o desenvolvimento das culturas.
A projeção de uma produção maior do que na safra passada se deve em função de aumento de área e da produtividade projetada a ser superior que a da safra passada. “Acreditamos que será uma safra satisfatória em função do manejo que se emprega nas lavouras, adubação, fatores que fazem com que a produção venha dentro da expectativa inicial”, diz.
O professor da URI, Sergio Mosele, diz que o país terá uma safra superior que a de 2015/16, parte disso em função do aumento de área e parte pela expectativa de aumento na produtividade. Neste caso, atribuído a tecnologia empregada nas lavouras.
Consultor diz que não será supersafra
No 4º levantamento da consultoria Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, para a safra de grãos 2016/2017, a projeção é de uma produção de 215,120 milhões de toneladas, 15,5% acima das 186,261 milhões de toneladas colhidas em 2015/2016 – cuja safra foi afetada negativamente pelo El Niño. A área de cultivo de grãos em 2016/2017 está prevista em 59,631 milhões de hectares, 2,3% acima da superfície cultivada em 2015/2016. Os maiores incrementos de área, em termos percentuais, estão previstos para: milho 1ª safra (+6,4%); feijão total (+5,7%); soja (+2,3%); e milho 2ª safra (+1,5%).
Em termos absolutos (superfície cultivada), os maiores incrementos de área estão previstos para: soja (+769 mil hectares); milho (+509 mil hectares, sendo 346 mil hectares na 1ª safra e 162 mil hectares na 2ª safra); e feijão total das 3 safras (+163 mil hectares).
Embora a previsão seja de um recorde, conforme o consultor não pode-se denominá-la de supersafra, diante dos números gigantescos exibidos pelo maior concorrente do Brasil no mercado global – os Estados Unidos, que colheram nada menos que 386,7 milhões de toneladas e 118,7 milhões de toneladas de soja. “Somente nestas duas culturas, os Estados Unidos colheram mais de 500 milhões de toneladas, e isso, sim é uma supersafra”, pontua.
La Niña de fraca intensidade
A safra de 2016/17 deve ser sob o domínio do fenômeno La Niña, de fraca intensidade. O fenômeno não é forte e será curto, deixando de existir no fim do verão.
“De forma geral, a perspectiva em relação à chuva e à temperatura no país é favorável para o bom desempenho da agricultura. A chuva deve se espalhar pelo país, chegando inclusive a região de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que nos últimos dois anos sofreram com a presença do fenômeno El Niño. No Sul, em geral, há um grande receio em relação ao fenômeno La Niña, pois às vezes ocorre seca na região, mas isso não deve acontecer neste ano. Até podemos ter alguns períodos curtos de estiagem, como o observado neste mês de novembro, por exemplo. Mas isso não deve se repetir nos próximos meses”, diz Cogo.
Segundo ele, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste espera-se uma redução da chuva durante o mês de fevereiro o que pode causar alguns transtornos para a agricultura. Mas depois a chuva volta no final do período úmido caindo com forte intensidade de forma prolongada em março e no início de abril. Os produtores devem ficar atentos, pois isto pode atrapalhar os trabalhos no período da colheita da soja e do milho. Essa é uma condição normal para anos com La Niña.