Hoje, 20 de maio, é considerado o Dia Mundial das Abelhas. Esses pequenos insetos voadores são muito importantes para a vida, de modo geral. Isso porque, as abelhas são polinizadoras, responsáveis pela reprodução de diferentes espécies de plantas, inclusive de alimentos consumidos por nós seres humanos. Além disso, servem também de termômetro sobre a qualidade do meio ambiente, pois as variações em seu comportamento indicam ameaças emergentes e desequilíbrios nos ecossistemas. A região Alto Uruguai tem 844 apicultores com 11.110 caixas em produção gerando uma média de 17,6 quilos de mel por caixa/ano, resultando numa produção anual regional de 195.549 quilos, vendido a preço médio de R$ 16,13 gerando receita de R$ 3.154.767,00 anual.
Produção de mel
Um desses apicultores é Rodrigo Mateus Angonese, do Apiário Angonese, localizado no km 14 Dourado, que vem seguindo os passos do pai e se dedicando a parceria com as abelhas (Apis melífera), na apicultura, e a produção de mel. Ele comenta que a relação da família com as abelhas é antiga e iniciou há 40 anos com o seu pai, com cerca de 25 colmeias, incentivado por um projeto de estímulo ao setor realizado pela Emater.
“Atualmente, estamos com 180 caixas em produção, nos últimos anos tem produzido bem, uma média de 20 quilos de mel por caixa/ano, já que a produção é anual. A safra vai de novembro a janeiro, com duas colheitas, mas dentro deste período”, afirma.
Segundo Rodrigo, três pessoas participam da colheita na safra, e no restante do tempo se dedicam a outras atividades. “Em setembro se começa a revisar as colmeias para produção, de novembro a janeiro a colheita propriamente dita e depois se trabalha na agroindústria’, explica.
Na agroindústria, comenta Rodrigo, o mel é beneficiado e embalado para ser vendido em feiras e alguns mercados de Erechim.
Conforme Rodrigo, o mel é uma atividade rentável, mas o trabalho com as abelhas é prazeroso, porque se colabora com o meio ambiente. “Criando mais abelhas se ajuda na polinização e isso é satisfatório pra nós. Além do mel a abelha produz o pólen, própolis, que é um baita antibiótico, a geleia real e cera. É muito gratificante trabalhar com abelhas porque elas colaboram com a polinização e tudo que elas produzem tem valor medicinal, o que é muito importante”, observa.
Apicultura no Alto Uruguai
Segundo o doutor, Vilmar Fruscalso, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Animal da Emater/ Ascar (RS), a atividade apícola é uma excelente opção econômica para a agricultura familiar. “Além de ser uma atividade limpa, livre de qualquer efeito maléfico ao ambiente, exige baixíssimo investimento inicial, pouca área de terra e tecnologia simples”, explica.
“Por outro lado, exige mão de obra especializada e dedicada, que tenha a vocação de lidar com abelhas, especialmente as africanas e africanizadas, que possuem ferrão e podem ser agressivas”, afirma.
Mercado
Segundo Vilmar, há também certa dificuldade de mercado, especialmente para altas produções. Enquanto que no varejo, modalidade que o apicultor entrega o mel de porta em porta, o preço gira em torno de R$ 20 por quilo; no atacado, em bombonas de 100 ou 200 litros, o preço cai para uma média de R$ 12 o quilo.
“As vendas no varejo são essencialmente locais e no atacado são para empresas de fora da região. Uma boa opção é vender para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal, na forma de sachê. Esta forma, contudo, é limitada, isto é, não oferece opção a muitos apicultores devido ao consumo limitado do produto pelas escolas”, observa.
Alternativas
“Uma opção para fugir da agressividade das abelhas africanas é trabalhar com as espécies sem ferrão, tais como a Melipona scutellaris, Melipona quadrifasciata, Melipona fasciculata, Melipona rufiventris, Nannotrigona testaceicornis, Tetragonisca angustula. A grande vantagem dessas espécies é a docilidade (não possuem ferrão), além de o mel ter um valor de mercado maior. Por outro lado, a produção de mel é muito menor. Enquanto que as abelhas africanas produzem 40 kg de mel/caixa/ano, as nativas (sem ferrão) não passam de 4 quilos/ano”, explica.
Mortandade de abelhas
Outro grande desafio enfrentado pelos apicultores se refere à mortandade de abelhas intoxicadas por defensivos agrícolas, especialmente, os neonicotinoides de fipronil, comenta Vilmar.
O doutor Vilmar Fruscalso comenta que, em 2019, reportagem da Agência Pública e Repórter Brasil mostrou que houve a morte de 500 milhões de abelhas em quatro estados do país, sendo que 400 milhões só no Rio Grande do Sul; 7 milhões em São Paulo, 50 milhões em Santa Catarina e 45 milhões em Mato Grosso do Sul, segundo estimativas de associações de apicultura, secretarias de Agricultura e pesquisas realizadas por universidades.
Produção de alimentos
Vilmar explica que as abelhas são os principais polinizadores na maioria dos ecossistemas do planeta e polinizam e promovem a reprodução de diversas espécies de plantas. “No Brasil, das 141 espécies de plantas cultivadas para alimentação humana e produção animal, cerca de 60% dependem em certo grau da polinização deste inseto. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 75% dos cultivos destinados à alimentação humana no mundo dependem das abelhas”, comenta.