21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Região

“Só queremos continuar a produzir nas terras que temos a escritura”, afirmam produtores

teste
240421521_1056206411863622_4603556080410266958_n.jpg
O evento contou com o apoio de representantes da classe política regional
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Um ato pacífico que teve por objetivo, chamar a atenção sobre a votação do Superior Tribunal Federal (STF), marcada para a próxima quarta-feira (25) e que tratará do artigo 231 da Constituição, responsável por fixar o marco temporal a fim de identificar e demarcar áreas indígenas. Assim foi o manifesto realizado hoje (23), às margens da ERS 135, trevo de acesso a Getúlio Vargas, que reuniu várias lideranças regionais contra a derrubada do Marco Temporal.

O evento foi promovido pelo Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Sutraf e a Comissão de Produtores de Mato Preto.

O grupo defende o trabalho exercido e que a atividade seja mantida na área em que cada um está. “Temos o direito de produzir comida para esse País. Não podemos admitir, em momento algum, que todo trabalho construído por cada família, possa ser questionado por medidas autoritárias de pessoas que estão engajadas em movimentos ideológicos”, reiterou o prefeito de Getúlio Vargas, Maurício Soligo.

Conforme a organização do manifesto, a eventual retirada do Marco Temporal pode provocar insegurança jurídica em todo o território nacional. Erebango, Getúlio Vargas e Erechim podem ser atingidos pelo processo de demarcação da região do Mato Preto. A manifestação também aconteceu a favor do PL-490, o qual prevê que são terras indígenas aquelas que estavam ocupadas pelos povos em 5 de outubro de 1988, sendo necessária a comprovação da posse da terra no dia da promulgação da Constituição Federal.

Na opinião do prefeito de Erebango, Valmor José Tomelero, não é criando mais um problema que será resolvida a questão indígena. “Se eles têm dificuldade de áreas, acredito que o governo deve buscar terras onde há disponibilidade para atendê-los. Isso tudo sem interferir e atingir a vida de muitas famílias de produtores que têm escrituras há mais de 100 anos”, destacou, acrescentando: “que eles possam continuar trabalhando, pois, quem está mantendo o nosso município, o Estado e o País, é a classe produtora. Apoiamos e torcemos para que as autoridades enxerguem essa preocupação dos agricultores que é, exclusivamente, prosseguir em suas terras e produzir”, ressaltou.

Em seu pronunciamento, o prefeito de Estação, Geverson Zimmermann, reforçou: “vocês conhecem e dão valor à terra. Produzem o alimento e tem a preocupação com o cuidado de cada planta. Fazem investimentos, participam de eventos para ampliar a qualificação e aumentar a produtividade”, mencionou.

Do mesmo modo, o prefeito de Erechim e presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), Paulo Polis, citou que, somente na região Alto Uruguai, são mais de 360 famílias atingidas e com registro das terras há mais de 100 anos. “Temos que reunir forças, com todos os partidos, contatar com os deputados e com representantes do STF e dizer: ‘queremos continuar produzindo’. Se o Brasil hoje é o celeiro do mundo, precisamos respeitar quem produz e quem faz isso acontecer. Contem com meu apoio”, enfatizou.

O vice-presidente da Amau e prefeito de Centenário, Neninho Florek, ressaltou que a determinação é que faz a diferença em meio às ações promovidas. “Tivemos grandes vitórias nos últimos dias em outras áreas e não poderíamos deixar de estar aqui nesse momento. Em momento algum foi pensado em interferir na questão indígena. Respeitamos a cultura mas também precisamos que os agricultores sejam respeitados e que não seja mexido no patrimônio, até porque, o alimento é a maior riqueza do mundo”, reforçou.

Representantes de Faxinalzinho prestaram apoio à causa e pontuaram: “sabemos da importância de estarmos aqui. Nós que também somos produtores e reconhecemos os desafios do dia a dia, dependemos da terra para sobreviver. A nossa causa é muito maior”, pontuaram.

Ao mesmo tempo, lideranças de Sananduva frisaram que eles, junto a representantes do município vizinho, Cacique Doble, se mobilizam nessa causa há muitos anos. “Precisamos da aprovação da PL 490, não podemos “rasgar” a constituição de 1988”, declararam.

Luiz Carlos da Silva, presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, encerrou a oportunidade dos discursos das lideranças, reforçando que será necessário prosseguir o movimento com atividades diretamente em Brasília. Ele agradeceu a parceria de todos os envolvidos e enalteceu a união dos diferentes setores em prol da causa.

“Nosso trabalho é essencial”, frisa produtor

Adelino Jevinski reside na localidade de Mato Prato. A área da propriedade é de 110 hectares, onde é desenvolvido o cultivo de grãos e a atividade de avicultura. O trabalho envolve a família e colaboradores contratados para auxiliar nas tarefas.

Indignado com essa situação envolvendo o Marco Temporal, ele afirmou: “Estamos novamente na luta. Há uma parte da sociedade que parece não levar o assunto a sério. A nossa escritura está registrada, pagamos e há muitas gerações que marcam a história, produzindo alimento em cada propriedade. E agora, nosso documento não tem mais valor?”, argumentou.

Segundo Jevinski, o propósito é conscientizar os órgãos públicos como um todo e a sociedade, para que valorizem ainda mais o esforço permanente da categoria. “Nosso trabalho é essencial para o desenvolvimento do Brasil”, salientou.

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;