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Saúde

Medo de engolir pode transformar refeições em desafio diário

Fagofobia é uma fobia rara que vai além da alimentação e impacta saúde, bem-estar e vida social

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Com acompanhamento adequado, muitos pacientes conseguem superar o medo, retomar uma alimentação equi
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Medo de altura, de ambientes fechados ou de voar de avião são exemplos de fobias amplamente conhecidas. No entanto, há quadros menos discutidos que também causam sofrimento significativo, entre eles, a fagofobia, caracterizada pelo medo intenso de engolir alimentos, líquidos ou até mesmo medicamentos. Embora possa parecer incomum, a condição é real, reconhecida por classificações diagnósticas e, muitas vezes, subdiagnosticada.

O que é a fagofobia

A fagofobia é uma fobia específica reconhecida em manuais como o DSM-5-TR e a CID-11. O medo central envolve o ato de engolir, associado à possibilidade de engasgo ou sufocamento.

Mesmo com exames digestivos e neurológicos normais, a pessoa sente dificuldade real para engolir. Episódios prévios de engasgo podem contribuir, mas não são indispensáveis. Considerada rara, a condição pode ser subdiagnosticada por ser confundida com problemas gastrointestinais ou transtornos alimentares.

Sintomas

A fagofobia envolve sintomas psicológicos, físicos e comportamentais. O medo de engasgar durante as refeições é central e costuma vir acompanhado de ansiedade antecipatória.

Pensamentos como “vou sufocar” ou “não vou conseguir engolir” são frequentes. No corpo, surgem sinais como taquicardia, suor frio, tremores e a sensação persistente de “nó na garganta”, mesmo sem alterações clínicas.

No comportamento, há mudanças claras: mastigação excessiva, alimentos cortados em pedaços muito pequenos, ingestão lenta e dependência de líquidos. Também são comuns a preferência por alimentos pastosos e a evitação de refeições completas ou em público.

Impactos na saúde e no cotidiano

Quando comer passa a ser associado ao medo, as consequências vão além da alimentação. A dieta tende a ficar restrita, com menor variedade, o que pode levar à perda de peso, carências nutricionais e até desnutrição.

Os efeitos emocionais e sociais também são relevantes. É comum evitar restaurantes, encontros e refeições em família, o que favorece o isolamento e aumenta ansiedade e estresse.

Forma-se um ciclo difícil de romper: quanto mais a pessoa evita comer, mais o medo se fortalece.

Possíveis causas

Na maioria dos casos, a fagofobia surge após um episódio marcante de engasgo ou sensação de sufocamento, levando o cérebro a associar a deglutição ao perigo.

Outros fatores podem contribuir, como crises de refluxo ou vômito, histórico de ansiedade ou pânico, outras fobias e até experiências indiretas, como presenciar alguém engasgando. Ambientes familiares ansiosos em relação à alimentação também podem influenciar.

Em geral, não há uma causa única, mas a combinação de fatores.

Diferença para transtornos alimentares

Apesar de afetar a alimentação, a fagofobia não é classificada como transtorno alimentar, e sim como fobia específica.

Um quadro que pode gerar confusão é o transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE). Nele, a restrição não está ligada à imagem corporal, mas a aversões, desinteresse por comer ou medo de passar mal.

A diferença central está na origem do medo: na fagofobia, ele se concentra no risco de engasgo; no TARE, é mais amplo. Em alguns casos, a fagofobia pode evoluir para TARE quando há restrição prolongada.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é clínico, com exclusão de causas físicas e análise do histórico e dos impactos na alimentação.

O tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo psicólogos, psiquiatras, médicos, fonoaudiólogos e nutricionistas. A abordagem inclui psicoterapia, especialmente cognitivo-comportamental, manejo da ansiedade e, em alguns casos, uso de medicamentos.

A exposição gradual à deglutição, do líquido ao sólido, é uma das estratégias centrais para reconstruir a confiança e reduzir o medo.

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