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Expressão Plural

A história das Copas: 1990 e o futebol amarrado

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

De volta à Europa em 1990, a sede da Copa do Mundo ficou pela segunda vez com a Itália. Após vencer a eleição contra a União Soviética, os italianos investiram pesado na modernização e construção de estádios, incluindo dois nas ilhas da Sicília e da Sardenha. Foi um cenário para um Mundial que, dentro de campo, seguiu uma tendência bem diferente do espetáculo ofensivo visto em décadas anteriores.

O momento tático do futebol na virada para a década de 90 era de forte tendência defensiva, consolidada pelo esquema com três zagueiros e líbero, linhas compactas e preocupação com a ocupação de espaços. A prioridade era não sofrer gols. O resultado foi uma Copa travada, de poucos riscos e muitos jogos amarrados. A edição de 1990 terminou com a menor média de gols da história dos Mundiais (2,21 por partida) e acabou considerada por muitos como a mais taticamente engessada, e também a mais “chata” de todos os tempos.

Ao lado da Itália, participaram do torneio: Alemanha Ocidental, Inglaterra, Espanha, Holanda, Bélgica, União Soviética, Romênia, Irlanda, Escócia, Áustria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Suécia, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Estados Unidos, Costa Rica, Egito, Camarões, Coreia do Sul e Emirados Árabes. O grande destaque entre as seleções emergentes foi o time camaronês, que surpreendeu o mundo ao derrotar os campeões argentinos na abertura e avançar até as quartas de final, tornando-se a melhor campanha de uma seleção africana até então.

Já o Brasil chegava cercado de desconfiança. O time vencia, mas não convencia. A seleção brasileira havia conquistado a Copa América de 1989, encerrando um jejum de 40 anos na competição, mas o desempenho ainda era questionado, mesmo tendo jogadores da qualidade de Romário, Careca e Müller.

A classificação para o Mundial também ficou marcada pela polêmica da “Fogueteira do Maracanã”. No jogo decisivo contra o Chile, uma torcedora brasileira lançou um sinalizador da arquibancada, mas o artefato caiu no gramado, próximo ao goleiro chileno Roberto Rojas. O jogador, então, apareceu caído, com o rosto ensanguentado. Como queimaduras não sangram, posteriormente ficou comprovado que ele próprio havia se cortado com uma lâmina escondida na luva, levada ao campo com a intenção de usá-la em caso de confusão. O Chile acabou punido, e o Brasil confirmou a vaga.

Na Copa, a equipe brasileira venceu seus três jogos na fase de grupos, mas sem brilho. Fez 2 a 1 sobre a Suécia, 1 a 0 na Costa Rica e 1 a 0 na Escócia. Nas oitavas de final, enfrentou a Argentina. Apesar de dominar boa parte da partida, criar diversas chances e realizar sua melhor atuação no Mundial, o Brasil acabou derrotado por 1 a 0, após jogada de Diego Maradona concluída por Cláudio Caniggia, sendo eliminado de forma precoce.

A campeã foi a Alemanha Ocidental, que vivia o processo de reunificação com o lado oriental (iniciado com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e oficialmente concretizado poucos meses depois do Mundial). O time dirigido por Franz Beckenbauer destoava da rigidez defensiva predominante, combinando organização tática com eficiência ofensiva. Na primeira fase, a equipe venceu a Iugoslávia e os Emirados Árabes, além de empatar com a Colômbia. Nas oitavas de final, derrotou a Holanda. Nas quartas, tirou a Tchecoslováquia. Na semifinal, superou a Inglaterra nos pênaltis.

A final, disputada no estádio Olímpico de Roma, foi uma revanche contra a Argentina, repetindo a decisão de 1986. Em uma partida truncada e tensa, a Alemanha venceu por 1 a 0, com gol de pênalti convertido por Andreas Brehme, que os argentinos juram até hoje que não foi. O título marcou o tricampeonato alemão.

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