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Opinião

Paraguai – país de oportunidades (Parte II)

Atrativos são energia abundante, menos custos, impostos...

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Continuando com o assunto da matéria anterior sobre o país vizinho – o Paraguai –, os motivos atrativos são diversos:

  1. Impostos bem menores: o Paraguai tem alíquota fixa de 10% para rendas anuais acima de ∼$ 39 mil. Para rendas menores, é ainda mais baixa. No Brasil, a tributação sobre renda e consumo pesa mais. Isso atrai empreendedores e profissionais liberais;
  2. Custo de vida mais baixo: em média, viver no Paraguai custa 11% menos que no Brasil. Transporte é 29% mais barato, alimentação 21% e moradia 18%. Aluguel em Assunção, mercado e transporte público pesam menos no bolso;
  3. Segurança: a taxa de homicídio lá é de 7,0 por 100 mil habitantes, contra 21,1 no Brasil. Muitas famílias buscam essa tranquilidade;
  4. Proximidade e adaptação fácil: fica no coração da América do Sul, fazendo fronteira com PR e MS. A cultura é acolhedora e o espanhol é relativamente fácil de aprender para brasileiros;
  5. Oportunidades de negócio: o sistema tributário competitivo e a menor burocracia facilitam abrir empresa. Há brasileiros indo para o agronegócio, comércio em Ciudad del Este e até faculdades de medicina, que são mais baratas.

As indústrias brasileiras estão cruzando a fronteira por cinco motivos básicos principais: custo menor, imposto menor e burocracia menor.

1º) Impostos bem mais baixos: no Paraguai, a carga tributária é simples: 10% de IR, 10% de IVA e 10% de imposto sobre remessa de lucros. No Brasil, só o lucro já paga 34% entre IRPJ + CSLL, sem contar PIS, Cofins e IPI. Nos pagos do Brasil, a diferença é brutal;

2º) Energia mais barata do mundo: graças a Itaipu e Yacyretá, quase 100% da eletricidade paraguaia é limpa e sobra energia. O governo vende o excedente para o Brasil e a Argentina. Para nossa indústria, que gasta muita luz — têxtil, metalurgia e plásticos —, a conta fecha muito melhor;

3º) Mão de obra mais competitiva: o salário nominal até é parecido, mas os encargos trabalhistas são bem menores. No Brasil, o custo do funcionário passa facilmente de duas vezes o salário. No Paraguai, as contribuições são menores e a CLT de lá é mais flexível. Dá para fazer contratos adaptados, com menos risco de passivo trabalhista;

4º) Logística e Certificado de Origem Mercosul: essa é a grande jogada. Se 40% a 60% do valor do produto for feito no Mercosul, ele entra no Brasil com isenção total de Imposto de Importação. A fábrica vira uma extensão da brasileira. O Paraguai faz fronteira com PR e MS, e o produto chega rápido aos centros consumidores;

5º) Burocracia e ambiente de negócios: menos papelada para abrir empresa, menos regulação e menos fiscalização. Há clusters industriais crescendo em Ciudad del Este, Assunção e Encarnación.

Os setores da indústria brasileira que mais migram para o Paraguai são os têxteis e vestuário, autopeças, plásticos, eletrônicos e embalagens. Tudo que usa muita mão de obra ou energia, e que vende para o Brasil. Várias empresas conhecidas já cruzaram a ponte, principalmente nos últimos 10 anos, como no caso:

1ª) Têxteis e vestuário: a Havan tem fábrica de confecção no Paraguai para abastecer sua rede; a Coteminas, a gigante têxtil, abriu unidade em Ciudad del Este; a Santista, tradicional fábrica de jeans; e outras dezenas de confecções menores de SC, PR e SP;

2ª) Autopeças e metalurgia: a Randon, fabricante de implementos rodoviários; a Metalsa, fabricante de autopeças; e outras empresas de rodas, cabos e plásticos de Caxias do Sul e região;

3ª) Plásticos e embalagens: a Innova Petroquímica tem planta de EPS/poliestireno; e várias indústrias de embalagens flexíveis do PR/SP;

4ª) Alimentos e agroindústria: frigoríficos estão arrendando ou comprando plantas no Paraguai para exportar carne com imposto menor; cooperativas do PR têm filiais operando com venda de insumos, recebimento de grãos e produção de farelo;

5ª) Outros casos: fábricas de colchões, móveis, calçados e montadoras de eletrônicos (peças vêm da Ásia, e a montagem é no Paraguai). Entram no Brasil sem impostos pelo Mercosul.

O padrão de funcionamento é simples: a empresa mantém matriz no Brasil, mas abre uma filial industrial no Paraguai. Produz lá usando o Certificado de Origem e manda para o Brasil com imposto de importação zerado. Economiza em imposto, energia e encargos. Mais de 300 empresas brasileiras já instalaram operação no Paraguai desde 2010.

No fim, a conta é simples: produzir no Paraguai e vender para o Brasil fica mais barato do que produzir no Brasil. E mais rápido do que importar da Ásia.

O Paraguai, conhecido outrora por vender quinquilharias da China, tornou-se pujante, e é de se admirar, porque agora é exemplo para o Brasil. Viva o Paraguai!

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