Durante a Copa do Mundo, muito se fala sobre protagonismo.
Quem vai chamar a responsabilidade?
Quem vai decidir o jogo?
Quem vai colocar a bola debaixo do braço quando o placar estiver apertado?
Portugal espera isso de Cristiano Ronaldo.
A Argentina, durante anos, confiou no Messi.
O Brasil deposita essa expectativa em nomes como Neymar, Vini Jr. e tantos outros exemplos.
A verdade é que, nos grandes times, o protagonismo nem sempre veste a camisa do craque. Às vezes, ele aparece no líder silencioso do vestiário. Naquele jogador que talvez não seja o mais talentoso, mas que contagia, cobra, mobiliza, organiza e faz o time acreditar.
Lembro do Dunga, em uma das Copas, exercendo exatamente esse papel. Não era o jogador mais brilhante da seleção, mas poucos simbolizaram tanto a palavra "liderança". Chamou para si a responsabilidade de conduzir, de cobrar, de acelerar decisões e de manter o grupo unido.
Nas empresas, não é diferente. Toda grande transformação precisa de protagonistas. São eles que aceleram mudanças, identificam oportunidades, rompem a inércia, desafiam o status quo e evitam que decisões importantes fiquem eternamente paradas no estacionamento da procrastinação. Estratégias não fracassam apenas por serem ruins. Muitas vezes, fracassam porque ninguém colocou o "coração na chuteira".
E aqui surge uma pergunta importante para conselhos de administração, diretorias e lideranças:
Quem são os protagonistas da sua organização hoje?
Quem está disposto a chamar a responsabilidade para si?
Quem, diante das dificuldades, pede a bola em vez de se esconder do jogo, segurando a pressão?
Empresas vencedoras, assim como seleções campeãs, raramente dependem de um único craque. Mas contam com pessoas que, em diferentes momentos, decidem colocar o jogo em outro ritmo.
Volto à pergunta: quem é o teu Messi? Aquela figurinha dourada do álbum?