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Saúde

Autismo profundo busca identificar casos de alta necessidade de suporte

Termo proposto busca dar visibilidade a pessoas com deficiência intelectual e pouca ou nenhuma linguagem funcional

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Proposta de “autismo profundo”, ainda em debate, busca dar visibilidade a pessoas com altas necessid
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar comunicação, interação social e comportamento em diferentes graus. O termo “espectro” reflete essa diversidade, que inclui desde pessoas com pouca necessidade de suporte até aquelas que dependem de assistência contínua. Ao longo do tempo, diagnósticos como autismo clássico e síndrome de Asperger foram incorporados ao TEA, ampliando a identificação de pessoas com diferentes níveis de deficiência intelectual, limitações de comunicação e necessidades de cuidado.

O aumento dos registros é associado à ampliação dos critérios diagnósticos, à maior conscientização e às diferenças no acesso à avaliação e aos serviços de saúde.

Proposta para um grupo específico

Em 2021, uma comissão internacional de especialistas reunida pela The Lancet propôs o termo “autismo profundo” para identificar pessoas autistas com necessidades de suporte particularmente elevadas, ampliando sua representação em pesquisas e políticas públicas.

A proposta não cria um novo nível do espectro autista e considera fatores como deficiência intelectual significativa, dificuldades importantes de comunicação e alta necessidade de assistência nas atividades diárias. Entre os critérios estão QI inferior a 50 e pouca ou nenhuma linguagem funcional, sem excluir formas alternativas de comunicação. A classificação é considerada principalmente a partir dos 8 anos, quando habilidades cognitivas e comunicativas tendem a se estabilizar.

Diferença em relação ao nível 3

“Autismo profundo” e TEA nível 3 não são classificações idênticas. O DSM-5 define três níveis de suporte: do nível 1, com pouca necessidade de apoio, ao nível 3, que exige suporte muito substancial.

O conceito de autismo profundo pode se sobrepor ao nível 3, especialmente quando há deficiência intelectual, dificuldades importantes de comunicação e alta dependência de cuidados. Por isso, não deve ser entendido como um possível “nível 4” do autismo.

As necessidades de suporte podem mudar ao longo da vida, conforme o desenvolvimento, as intervenções e o ambiente. Mesmo pessoas que precisam de apoio elevado podem desenvolver habilidades e ampliar a autonomia, embora algumas demandas significativas possam permanecer na vida adulta.

Cerca de um quarto das crianças estudadas

Ainda não há uma estimativa definitiva sobre quantas pessoas se enquadram na definição de autismo profundo, já que o conceito é recente e seus critérios seguem em discussão. Estudos realizados nos Estados Unidos e na Austrália indicam que cerca de um quarto das crianças autistas avaliadas apresenta características associadas à condição. Os percentuais, porém, não podem ser automaticamente generalizados para toda a população com TEA.

Busca por maior representação

A criação do conceito está relacionada à baixa participação de pessoas autistas com deficiência intelectual e grandes necessidades de suporte em pesquisas científicas, devido a barreiras em questionários, protocolos e avaliações. Uma identificação específica poderia ampliar estudos direcionados e contribuir para o planejamento de serviços de saúde, educação, assistência social e cuidados de longo prazo. Para as famílias, a discussão também reforça a necessidade de pensar em cuidados, moradia, autonomia, apoio aos cuidadores e continuidade da assistência ao longo do envelhecimento.

Categoria ainda é alvo de debate

A proposta não é consenso entre pesquisadores e integrantes da comunidade autista. Uma das preocupações é que a divisão entre autismo profundo e não profundo seja interpretada como uma indicação de que os demais autistas necessariamente apresentam necessidades menores.

Comportamentos como autoagressão, agressividade e tentativas de fuga, por exemplo, podem ocorrer em pessoas que não se enquadram nos critérios propostos. Também há questionamentos sobre o uso do QI e da capacidade de comunicação para delimitar um grupo tão diverso, já que essas medidas, isoladamente, não abrangem todas as habilidades e necessidades individuais.

Não é um diagnóstico independente

Autismo profundo não é atualmente um diagnóstico independente nos principais manuais diagnósticos. O diagnóstico permanece sendo o transtorno do espectro autista, acompanhado da avaliação das características individuais, condições associadas e necessidades de suporte.

Desde a proposta apresentada pela comissão da The Lancet, o termo passou a aparecer em pesquisas e debates internacionais. A discussão busca tornar mais visível uma parcela da população autista que pode apresentar deficiência intelectual, comunicação muito limitada e dependência significativa de cuidados, sem reduzir a diversidade existente dentro do espectro.

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