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Saúde

Comer tarde pode afetar metabolismo e coração

Estudos associam refeições próximas ao sono a alterações na glicemia, no gasto energético e na pressão arterial

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Comer tarde pode afetar metabolismo, coração e digestão
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Comer pouco antes de dormir faz parte da rotina de muitas pessoas. Embora não seja necessariamente um problema, pesquisas indicam que o horário das refeições pode influenciar o funcionamento do organismo, especialmente o metabolismo, o sono e a saúde cardiovascular. Na crononutrição, área que estuda a relação entre alimentação e ritmo circadiano, o momento em que os alimentos são consumidos é considerado um dos fatores que interferem na resposta do corpo à glicose, à insulina e a outros processos metabólicos.

Durante a noite biológica, a resposta à glicose tende a ser menos eficiente. Por isso, a mesma refeição pode produzir efeitos metabólicos diferentes dependendo do horário em que é consumida. A recomendação de deixar cerca de duas a três horas entre a última refeição e o momento de deitar é especialmente utilizada para reduzir sintomas de refluxo e desconforto digestivo. Não se trata, porém, de uma regra obrigatória para todas as pessoas nem de uma garantia de emagrecimento.

Evidências sobre refeições tardias

Um ensaio clínico publicado em 2020 no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostrou que jantar às 22h, em vez das 18h, elevou mais a glicemia noturna, atrasou o pico dos triglicerídeos e reduziu o uso da gordura da refeição como energia.

Em 2022, estudo publicado na Cell Metabolism associou a alimentação tardia ao aumento da fome, à redução do gasto energético durante a vigília e a alterações metabólicas no tecido adiposo, mesmo com calorias, dieta, atividade física e sono controlados.

Já uma meta-análise de 2026, publicada na Nutrition Reviews, encontrou associação entre comer tarde e maior risco de obesidade em adultos, mas ressaltou que são necessárias novas pesquisas para confirmar a relação e entender seus mecanismos.

Reflexos no coração

O horário da última refeição também pode influenciar indicadores cardiovasculares. Estudo publicado em 2026 na revista Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology, com 39 adultos com sobrepeso ou obesidade, mostrou que manter jejum noturno de 13 a 16 horas e terminar de comer pelo menos três horas antes de dormir reduziu a pressão arterial e a frequência cardíaca durante o sono, além de melhorar a resposta à glicose. Isso pode ocorrer porque comer perto da hora de dormir mantém a digestão e o metabolismo ativos e pode prejudicar o descanso.

Efeito sobre o sono

A relação entre horário da alimentação e sono é mais complexa. Refeições volumosas, muito gordurosas ou feitas imediatamente antes de deitar podem favorecer refluxo e desconforto digestivo, prejudicando o descanso. Já os estudos que avaliam exclusivamente o horário da alimentação apresentam resultados menos consistentes.

Uma meta-análise publicada em 2025 não encontrou diferenças uniformes na duração ou na qualidade do sono em ensaios controlados sobre alimentação com tempo restrito. Portanto, não é possível afirmar que deixar exatamente três horas entre a refeição e o sono produza, por si só, uma melhora garantida na qualidade do descanso.

E quando a fome aparece à noite?

Não é necessário ignorar a fome apenas para cumprir um horário rígido. Quando for preciso comer perto de dormir, uma pequena refeição equilibrada e de fácil digestão pode ser mais adequada do que permanecer com fome, ter dificuldade para dormir ou compensar a restrição posteriormente. Alimentos muito gordurosos, açucarados ou ultraprocessados tendem a ser menos indicados nesse período.

O intervalo de duas a três horas pode ser usado como referência, principalmente por quem apresenta refluxo ou desconforto noturno. Mais importante do que estabelecer um horário universal é considerar a rotina, a qualidade da alimentação, as necessidades individuais e o funcionamento metabólico de cada pessoa.

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