O tabagismo permanece como um dos principais problemas de saúde pública. Segundo a OMS, o cigarro está associado a cerca de 8 milhões de mortes por ano. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou aumento de 25% no número de fumantes entre 2023 e 2024, ampliando a preocupação com os impactos do tabaco.
Iniciado na adolescência e mantido por décadas, o hábito eleva o risco de morte precoce e pode reduzir em oito a dez anos a expectativa de vida. O uso contínuo também está relacionado à perda funcional, limitações físicas, dores musculoesqueléticas e maior ocorrência de ansiedade e depressão, efeitos que tendem a se agravar com o envelhecimento.
Mesmo quem começa a fumar após os 60 anos pode sofrer consequências importantes. A presença de outras doenças e a menor reserva fisiológica tornam os idosos mais vulneráveis a eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Benefícios começam pouco depois do último cigarro
Parar de fumar traz benefícios à saúde mesmo quando já há danos causados pelo tabaco. Em cerca de 20 minutos, pressão arterial e frequência cardíaca começam a se normalizar; após 12 horas, cai a concentração de monóxido de carbono no sangue, melhorando a oxigenação.
Em até 48 horas, olfato e paladar começam a se recuperar. Entre três e nove meses, a função pulmonar pode melhorar em até 30%. Após um ano, o risco de doença arterial coronariana cai pela metade, enquanto o de AVC pode se aproximar do registrado entre quem nunca fumou.
Na velhice, abandonar o cigarro também pode reduzir inflamações e o acúmulo de muco nas vias aéreas, facilitando a respiração e diminuindo tosse e falta de ar. A melhora do olfato e do paladar favorece a alimentação e a segurança, além de contribuir para sono, disposição e concentração. Os benefícios podem ocorrer inclusive entre pessoas com mais de 80 anos, acompanhados ainda de economia financeira.
Riscos vão além dos pulmões
Entre as principais doenças relacionadas ao tabagismo está a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), atualmente a terceira principal causa de morte no mundo e a quinta causa de internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em idosos, o tabaco também está associado a aterosclerose, infarto, AVC, alterações vasculares, osteoporose, hipertensão, refluxo gastroesofágico, apneia do sono, diabetes, arritmias, depressão e demência. Cigarros, charutos, cachimbos, cigarros eletrônicos e narguilés apresentam riscos à saúde, embora existam diferenças na toxicidade e na intensidade dos danos. O cigarro convencional está entre as formas mais agressivas de consumo e está relacionado a diversos tipos de câncer, incluindo os de pulmão, bexiga, esôfago, laringe, cavidade oral e pâncreas.
Apoio aumenta as chances de abandonar o vício
Para quem deseja parar de fumar, uma das alternativas é procurar um programa de tratamento do tabagismo em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O acompanhamento pode envolver profissionais de diferentes áreas e, quando indicado, medicamentos para controlar a dependência da nicotina e os sintomas de abstinência.
O tratamento pode incluir reposição de nicotina, com adesivos e gomas, medicamentos específicos, acompanhamento psicológico e terapia cognitivo-comportamental. Aplicativos, tecnologias digitais, meditação e mindfulness também podem auxiliar na mudança de hábitos.
O suporte profissional e social aumenta as possibilidades de sucesso em relação às tentativas feitas sem acompanhamento. O tratamento considera aspectos físicos, emocionais e sociais da dependência e ajuda a identificar situações que despertam a vontade de fumar, como estresse, ansiedade e solidão. Grupos de apoio também podem facilitar a manutenção da abstinência.
Atividade física ajuda no processo
Mudanças no estilo de vida podem reduzir sintomas da abstinência e a vontade de fumar. Mesmo períodos curtos de atividade física, como caminhadas de 10 a 15 minutos, podem ajudar a diminuir o desejo pelo cigarro, melhorar o humor e aliviar o estresse.
Caminhada, hidroginástica, alongamento, ioga e tai chi são algumas opções que podem ser incorporadas à rotina, respeitando as condições de saúde e a capacidade física de cada pessoa. Alimentação equilibrada e sono adequado também contribuem para o bem-estar durante o processo.
Parar de fumar pode ser difícil, mas os benefícios começam rapidamente e podem ser obtidos em qualquer fase da vida. Para idosos, abandonar o cigarro representa uma oportunidade de preservar a autonomia, melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos de doenças graves.