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Expressão Plural

A história das Copas: 1986 e a mão de um gênio

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Até nascer, a Copa do Mundo de 1986 passou por uma gestação complicada. Inicialmente, a FIFA havia escolhido a Colômbia como sede, mas o país desistiu da organização no fim de 1982, alegando não ter condições financeiras de atender às grandes exigências estruturais do torneio. A busca por um substituto levou à confirmação do México em 1983, decisão que transformou o país no primeiro a receber a Copa do Mundo pela segunda vez, repetindo a experiência de 1970. Porém, um novo abalo seria sentido quando a Cidade do México foi atingida por um devastador terremoto em 1985, tragédia que voltou a colocar o Mundial em dúvida. Apesar do cenário difícil, o país manteve tudo conforme o planejado.

Dentro de campo, o regulamento da Copa passou por outras mudanças. O torneio manteve as 24 seleções, mas abandonou a segunda fase de grupos e voltou ao sistema de mata-mata direto a partir das oitavas de final, formato que reduziu muito as margens de erro.

Junto ao México, os times classificados para o Mundial foram: Itália, Alemanha Ocidental, França, Espanha, Inglaterra, União Soviética, Bélgica, Dinamarca, Portugal, Escócia, Irlanda do Norte, Hungria, Bulgária, Polônia, Canadá, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Argélia, Marrocos, Iraque e Coreia do Sul. Assim como em 1970, a altitude e os horários das partidas (muitas delas ao meio-dia, durante o forte verão mexicano) foram tema de discussão.

A seleção brasileira vivia um período de renovação após a decepção sofrida em 1982. Telê Santana deixou o comando técnico depois da eliminação, mas retornou no fim de 1985. A preparação foi intensa: Cerca de 40 atletas passaram por três meses de confinamento, período em que o treinador buscou reaprender sobre os jogadores, redefinir o estilo de jogo e fechar a lista final de 22 convocados. O Brasil fez vários amistosos durante esse tempo, e a ideia do futebol-arte foi deixada de lado. O importante era vencer, não importando a forma de jogo.

Na campanha, o Brasil começou bem. Na fase de grupos, venceu a Espanha por 1 a 0, a Argélia por 1 a 0 e a Irlanda do Norte por 3 a 0, avançando ao mata-mata. Nas oitavas de final, eliminou a Polônia com vitória por 4 a 0. Mas o sonho brasileiro terminou de maneira dolorosa nas quartas de final, diante da França. Após empate por 1 a 1, o confronto foi decidido nos pênaltis e os franceses venceram por 4 a 3. Zico perdeu um pênalti ainda no tempo normal, e Sócrates perdeu outro na disputa.

Em paralelo ao pragmatismo do Brasil, a Copa do Mundo teve o auge de um gênio. A Argentina de Diego Maradona protagonizou uma das trajetórias mais marcantes de todos os tempos. Na primeira fase, os argentinos venceram Coreia do Sul e Bulgária, e empataram com a Itália. Nas oitavas, eliminaram o Uruguai. Após isso, um confronto entraria para a história.

Nas quartas de final, a Argentina encarou a Inglaterra, quatro anos depois do ressentimento causado pela derrota na Guerra das Malvinas. A “vingança” veio através de Maradona, que marcou dois dos gols mais famosos do futebol: primeiro, com o toque de mão que ficou conhecido como a “Mão de Deus”. Poucos minutos mais tarde, ele arrancou do meio-campo, driblou metade do time inglês e fez o que muitos consideram o gol mais bonito da história das Copas. Os argentinos venceram por 2 a 1.

Na semifinal, a Argentina venceu a Bélgica por 2 a 0, novamente com atuação decisiva de Maradona. A final foi disputada no estádio Azteca, na Cidade do México, diante da Alemanha Ocidental. Em uma partida emocionante, os argentinos venceram por 3 a 2 e conquistaram o bicampeonato mundial, coroando Diego Maradona como um dos maiores jogadores da história.

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